
Trump: Empresas petrolíferas 'estão muito ansiosas para entrar' na Venezuela

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse no último domingo (4) que conversou "praticamente com todas" as empresas petrolíferas sobre a possibilidade de entrar na Venezuela, acrescentando que elas estão dispostas a fazê-lo.

"Eles estão muito ansiosos para entrar", disse a repórteres a bordo do Air Force One, após ser indagado sobre o assunto.
Questionado se havia conversado com as empresas antes da operação militar em território venezuelano, o ocupante da Casa Branca respondeu: "Sim, antes e depois". "E elas querem entrar. E farão um ótimo trabalho para o povo da Venezuela", concluiu.
Trump também afirmou que empresas americanas entrarão no país latino-americano para extrair petróleo e "recuperar o que lhes foi roubado". Segundo o presidente norte-americano, o objetivo é reconstruir o sistema petrolífero da Venezuela e recuperar ativos que, em sua visão, foram desviados. "As empresas petrolíferas vão entrar e reconstruir esse sistema. Elas vão investir bilhões de dólares e vão extrair o petróleo do solo", disse ele.
A gravíssima agressão militar
Os Estados Unidos atacaram a Venezuela no último sábado (3), orquestrando uma operação que, segundo o governo venezuelano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".
- O governo da Venezuela denunciou o ataque como uma "violação flagrante" da Carta das Nações Unidas, que consagra o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força. Caracas enfatizou que não há provas que liguem Maduro ao narcotráfico e alertou que o único interesse dos EUA é o petróleo venezuelano — justificativa confirmada por Trump, que anunciou que seu governo está "no comando" da Venezuela e que explorará o valioso recurso natural.
O presidente venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".
Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, provocaram os Estados Unidos à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.
Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.
Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelas autoridades de Caracas como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma como presidente encarregada.
A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, enviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência". Ela destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".
