
Chanceler da Venezuela considera críticas na ONU contra a agressão dos EUA uma 'vitória clara'

O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, considerou que Caracas obteve uma "vitória clara e legítima" no Conselho de Segurança das Nações Unidas nesta segunda-feira (5).

O órgão das ONU discutiu a agressão militar dos Estados Unidos contra o território venezuelano e a captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, ocorrido no sábado (3).
"Mais uma vez, a verdade prevaleceu no Conselho de Segurança. A Venezuela obteve uma vitória clara e legítima: a comunidade internacional confirmou que o ataque perpetrado em 3 de janeiro foi um ato contrário ao direito internacional, uma violação da Carta da ONU, do direito internacional humanitário e dos direitos humanos, e um ataque direto à imunidade de um Chefe de Estado em exercício. Não houve espaço para manipulação ou dois pesos e duas medidas. A lei estava do lado da Venezuela", escreveu Gil em uma mensagem publicada em sua conta no Telegram.
'Gravíssima agressão militar'
Os Estados Unidos realizaram no sábado (3) um ataque "em grande escala" em território venezuelano que, segundo o Governo do país sul-americano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais entre militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".
Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelo Governo venezuelano como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez fique encarregada da Presidência.
O mandatário venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".
Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, instaram à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.
Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.
A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, enviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência" e destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".

