
Veja as primeiras declarações de Delcy Rodríguez como presidente encarregada da Venezuela

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, tomou posse como presidente encarregada da do país nesta segunda-feira (5), após o sequestro do presidente Nicolás Maduro em intervenção militar orquestrada pelos Estados Unidos no último sábado (3). Rodríguez assume o cargo após ordem do Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela (TSJ).
"Juro pela minha honra que não descansarei nem meu braço nem minha alma até ver a Venezuela no destino que lhe corresponde, no pedestal da honra histórica que lhe corresponde, como uma nação livre, soberana e independente", declarou Rodríguez.

A garantia da "paz da República" e da "tranquilidade econômica e social" para todos os cidadãos também foram compromissos firmados pela presidente encarregada durante a cerimônia, em votos firmados "em nome do povo venezuelano".
O juramento foi conduzido perante o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, a quem expressou seu pesar pelo sequestro de Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores.
"Venho com dor, pelo sofrimento infligido ao povo venezuelano em decorrência de uma agressão militar ilegítima contra nossa pátria. Venho com dor pelo sequestro de dois heróis que temos como reféns nos Estados Unidos da América: o presidente Nicolás Maduro e a primeira combatente, a primeira-dama deste país, Cilia Flores", acrescentou ela na cerimônia.
'Gravíssima agressão militar'
Os Estados Unidos realizaram no sábado (3) um ataque "em grande escala" em território venezuelano que, segundo o Governo do país sul-americano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais entre militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".
Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelo Governo venezuelano como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez fique encarregada da Presidência.
O mandatário venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".
Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, instaram à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.
Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.
A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, enviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência" e destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".

