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Brasil na ONU: 'Intervenção armada contra a soberania de um país deve ser veementemente condenada'

Durante reunião do Conselho de Segurança, o embaixador brasileiro, Sérgio França Danese, afirmou que ações como a realizada por Washington em Caracas "afetam toda a comunidade internacional".
Brasil na ONU: 'Intervenção armada contra a soberania de um país deve ser veementemente condenada'Reprodução/Divulgação/ONU

O Brasil rejeitou nesta segunda-feira (5), de forma categórica e firme, a agressão armada perpetrada pelos Estados Unidos contra a Venezuela no último sábado (3), com o objetivo de sequestrar o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, por colocar em risco a paz na região e o sistema multilateral em todo o mundo.

"O Brasil não acredita que a solução para a situação na Venezuela esteja na criação de protetorados no país (...). Ataques contra a soberania de qualquer país, independentemente da orientação de seu governo, afetam toda a comunidade internacional. Este e outros casos de intervenção armada contra a soberania de um país, sua integridade territorial ou suas instituições devem ser veementemente condenados", declarou o embaixador brasileiro Sérgio França Danese durante a sessão de emergência realizada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Danese também considerou que a operação dos EUA ultrapassou "uma linha inaceitável"e estabeleceu um precedente "extremamente perigoso", pois esse tipo de ação pode "inexoravelmente" levar a um cenário marcado por violência e desordem, além de aprofundar a crise de governança global refletida no histórico de 61 conflitos armados ativos.

Agressão militar gravíssima

  • Os Estados Unidos realizaram no sábado (3) um ataque "em grande escala" em território venezuelano que, segundo o Governo do país sul-americano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de MirandaLa Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais entre militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".

  • Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelo Governo venezuelano como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez fique encarregada da Presidência.

  • O mandatário venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".

  • Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, provocaram os Estados Unidos à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.

  • Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.

  • A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguezenviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência" e destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".