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Cuba na ONU: Ataque militar dos EUA contra a Venezuela visa controlar terras e recursos naturais

Havana classificou como "covarde" a ação militar norte-americana contra Caracas e afirmou que Washington busca "amedrontar" governos da América Latina e Caribe.
Cuba na ONU: Ataque militar dos EUA contra a Venezuela visa controlar terras e recursos naturaisReprodução/Divulgação/ONU

O representante de Cuba no Conselho de Segurança das Nações Unidas, Ernesto Soberón Guzmán, denunciou nesta segunda-feira (5) que o "ataque militar" perpetrado no fim de semana pelos Estados Unidos contra a Venezuela "busca controlar as terras e os recursos naturais" do país sul-americano.

"O ataque militar dos EUA contra a Venezuela não tem qualquer justificativa, não é uma resposta a nenhuma provocação e carece de legitimidade; baseia-se na doutrina aberrante da paz pela força e mina a estabilidade e a paz que caracterizam nossa região da América Latina e do Caribe há anos", disse o diplomata cubano, que se juntou ao apelo internacional pela libertação imediata, por Washington, do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, após a captura dos dois em Caracas.

Soberón afirmou que as ações militares dos Estados Unidos são baseadas em falsidades e "acusações infundadas, sem qualquer prova". Ele alertou ainda que os bombardeios em território venezuelano "buscam provocar uma mudança na ordem constitucional da República Bolivariana da Venezuela" e que seu "objetivo final não é a falsa narrativa do combate ao narcotráfico, mas sim o controle das terras e dos recursos naturais da Venezuela".

'Ato criminoso'

O porta-voz cubano afirmou que o propósito de Washington na Venezuela foi confessado aberta e descaradamente pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e seu secretário de Estado, Marco Rubio.

"Trata-se de uma agressão imperialista e fascista, com objetivos de dominação que buscam reavivar as ambições hegemônicas dos EUA sobre a nossa América, enraizadas na antiquada Doutrina Monroe", disse.

"Também busca intimidar e subjugar os governos da América Latina e do Caribe", alertou Soberón, acrescentando que Cuba está pedindo uma reação urgente da comunidade internacional contra o que considera um ataque criminoso à Venezuela, uma nação pacífica que, segundo ele, não atacou os Estados Unidos nem qualquer outro país.

Soberón descreveu a agressão dos EUA como "covarde" e também salientou que " é um ato criminoso, que viola o direito internacional e a Carta da ONU".

Ele também afirmou que a ação de Washington "constitui uma escalada perigosa da campanha de guerra mantida há anos pelos EUA" contra a Venezuela, "que se intensificou desde setembro de 2025, com o agressivo deslocamento naval no Mar do Caribe, sob pretextos mentirosos e acusações infundadas e sem qualquer prova".

'Gravíssima agressão militar'

No sábado (03), após o ataque dos EUA que incluiu bombardeios ilegais contra a cidade de Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira, o governo da Venezuela denunciou a "gravíssima agressão militar" e explicou que ela constitui uma "violação flagrante" da Carta das Nações Unidas, que consagra o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força.

Também esclareceu que não há provas que liguem Maduro ao narcotráfico e alertou que o único interesse dos EUA é ficar com o petróleo venezuelano, o que foi confirmado insistentemente por Trump, que em discursos e entrevistas anunciou que seu governo está "no comando" da Venezuela e que explorará o valioso recurso natural.

  • Os Estados Unidos realizaram no sábado (3) um ataque "em grande escala" em território venezuelano que, segundo o Governo do país sul-americano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de MirandaLa Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais entre militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".

  • Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelo Governo venezuelano como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez fique encarregada da Presidência.

  • O mandatário venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".

  • Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, instaram à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.

  • Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.

  • A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguezenviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência" e destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".