
'Intervenção nunca trouxe democracia': Sheinbaum critica agressão dos EUA contra Venezuela

A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, criticou nesta segunda-feira (5) o ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela no último sábado (3), orquestrada na forma de um bombardeio que culminou no sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e da primeira-dama, Cilia Flores.
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— RT Brasil (@rtnoticias_br) January 5, 2026
"O México reafirma um princípio que não é novo e não admite ambiguidade: rejeitamos categoricamente a intervenção nos assuntos internos de outros países", declarou Sheinbaum em coletiva de imprensa.
"A história da América Latina é clara e incontestável. A intervenção nunca trouxe democracia, nunca gerou bem-estar e nunca levou à instabilidade duradoura. Somente o povo pode construir seu próprio futuro, decidir seu próprio caminho, exercer soberania sobre seus recursos naturais e definir livremente sua forma de governo", alertou.

A agressão americana e o sequestro de Maduro
Os Estados Unidos atacaram a Venezuela no último sábado (3), orquestrando uma operação que, segundo o governo venezuelano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".
- O governo da Venezuela denunciou o ataque como uma "violação flagrante" da Carta das Nações Unidas, que consagra o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força. Caracas enfatizou que não há provas que liguem Maduro ao narcotráfico e alertou que o único interesse dos EUA é o petróleo venezuelano — justificativa confirmada por Trump, que anunciou que seu governo está "no comando" da Venezuela e que explorará o valioso recurso natural.
O presidente venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".
Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, provocaram os Estados Unidos à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.
Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.
Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelas autoridades de Caracas como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma como presidente encarregada.
A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, enviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência". Ela destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".

