Sheinbaum responde Trump após ameaça de invasão no México sob pretexto de combate às drogas

A presidente mexicana classificou as declarações como inaceitáveis e alertou para consequências.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, respondeu nesta segunda-feira (5) às constantes ameaças feitas pelo presidente Donald Trump contra seu país desde o ataque militar dos EUA à Venezuela no último sábado (3), que culminou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores.

"No México, o povo governa. Somos um país livre, independente e soberano. Cooperação, sim. Subordinação e intervenção, não", declarou a presidente em coletiva de imprensa em meio à indignação internacional causada pelo ataque dos EUA à nação caribenha. "Que ideia é essa? Quem eles vão bombardear? E o que isso implicaria? A soberania deve ser defendida". 

Sheinbaum também afirmou que não há risco real de Trump invadir o México ou outros países e que, em qualquer caso, será o povo que definirá os limites. "É por isso que, no México, devemos permanecer unidos e ter uma visão clara, porque essa visão está estabelecida em nossa Constituição, e é a defesa da nossa soberania", declarou.

Desde sábado (3), Trump tem alertado consistentemente que o México e outros países da região, como Cuba e Colômbia, poderiam sofrer o mesmo destino da Venezuela, cujo um bombardeio avançou o objetivo principal dos Estados Unidos — admitido pelo próprio presidente americano — o confisco do petróleo do país caribenho.

Combate ao narcotráfico

"Teremos que fazer algo em relação ao México", afirmou o presidente americano no domingo (4), alegando que os cartéis "comandaram" o país e ressuscitando o argumento da guerra contra as drogas para justificar a intervenção em outras nações.

Em resposta, Sheinbaum lembrou que, no ano passado, o México e os EUA assinaram um acordo de segurança baseado no respeito à soberania. Ela avaliou que o progresso do México na luta contra o narcotráfico é evidente, com uma redução de 37% nos homicídios em um ano, a apreensão de centenas de toneladas de drogas ilícitas e a extradição de dezenas de criminosos.

Por outro lado, enfatizou que os EUA são responsáveis ​​por grande parte da violência que assola o México, apontando que as armas de grosso calibre usadas pelos cartéis vêm de sua fronteira ao norte, onde persiste uma alta demanda por drogas.

"Não acredito em uma invasão, nem acho que seja algo que eles estejam levando muito a sério", disse a presidente, reiterando que Trump ofereceu "apoio" militar ao México nas diversas ligações telefônicas que tiveram no último ano.

"Dissemos firmemente que não, em primeiro lugar porque defendemos nossa soberania e, em segundo lugar, porque não é necessário. O problema decorrente do crime organizado não se resolve com uma intervenção. Implementamos uma estratégia abrangente", acrescentou, afirmando que só se preocuparia com uma possível invasão militar se não houvesse comunicação com os EUA, mas hoje a situação é oposta.

A agressão americana e o sequestro de Maduro