
Sheinbaum responde Trump após ameaça de invasão no México sob pretexto de combate às drogas

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, respondeu nesta segunda-feira (5) às constantes ameaças feitas pelo presidente Donald Trump contra seu país desde o ataque militar dos EUA à Venezuela no último sábado (3), que culminou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores.
"No México, o povo governa. Somos um país livre, independente e soberano. Cooperação, sim. Subordinação e intervenção, não", declarou a presidente em coletiva de imprensa em meio à indignação internacional causada pelo ataque dos EUA à nação caribenha. "Que ideia é essa? Quem eles vão bombardear? E o que isso implicaria? A soberania deve ser defendida".
'A intervenção nunca trouxe democracia': Sheinbaum critica a agressão dos EUA contra a Venezuela Saiba mais: https://t.co/maxDFaAo7Wpic.twitter.com/kcMv1HjHxW
— RT Brasil (@rtnoticias_br) January 5, 2026

Sheinbaum também afirmou que não há risco real de Trump invadir o México ou outros países e que, em qualquer caso, será o povo que definirá os limites. "É por isso que, no México, devemos permanecer unidos e ter uma visão clara, porque essa visão está estabelecida em nossa Constituição, e é a defesa da nossa soberania", declarou.
Desde sábado (3), Trump tem alertado consistentemente que o México e outros países da região, como Cuba e Colômbia, poderiam sofrer o mesmo destino da Venezuela, cujo um bombardeio avançou o objetivo principal dos Estados Unidos — admitido pelo próprio presidente americano — o confisco do petróleo do país caribenho.
Combate ao narcotráfico
"Teremos que fazer algo em relação ao México", afirmou o presidente americano no domingo (4), alegando que os cartéis "comandaram" o país e ressuscitando o argumento da guerra contra as drogas para justificar a intervenção em outras nações.
Em resposta, Sheinbaum lembrou que, no ano passado, o México e os EUA assinaram um acordo de segurança baseado no respeito à soberania. Ela avaliou que o progresso do México na luta contra o narcotráfico é evidente, com uma redução de 37% nos homicídios em um ano, a apreensão de centenas de toneladas de drogas ilícitas e a extradição de dezenas de criminosos.
Por outro lado, enfatizou que os EUA são responsáveis por grande parte da violência que assola o México, apontando que as armas de grosso calibre usadas pelos cartéis vêm de sua fronteira ao norte, onde persiste uma alta demanda por drogas.
"Não acredito em uma invasão, nem acho que seja algo que eles estejam levando muito a sério", disse a presidente, reiterando que Trump ofereceu "apoio" militar ao México nas diversas ligações telefônicas que tiveram no último ano.
"Dissemos firmemente que não, em primeiro lugar porque defendemos nossa soberania e, em segundo lugar, porque não é necessário. O problema decorrente do crime organizado não se resolve com uma intervenção. Implementamos uma estratégia abrangente", acrescentou, afirmando que só se preocuparia com uma possível invasão militar se não houvesse comunicação com os EUA, mas hoje a situação é oposta.
A agressão americana e o sequestro de Maduro
Os Estados Unidos atacaram a Venezuela no último sábado (3), orquestrando uma operação que, segundo o governo venezuelano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".
- O governo da Venezuela denunciou o ataque como uma "violação flagrante" da Carta das Nações Unidas, que consagra o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força. Caracas enfatizou que não há provas que liguem Maduro ao narcotráfico e alertou que o único interesse dos EUA é o petróleo venezuelano — justificativa confirmada por Trump, que anunciou que seu governo está "no comando" da Venezuela e que explorará o valioso recurso natural.
O presidente venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".
Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, provocaram os Estados Unidos à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.
Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.
Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelas autoridades de Caracas como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma como presidente encarregada.
A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, enviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência". Ela destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".


