
Diplomata mexicano acusa EUA de negar história da América Latina

O Representante Permanente do México nas Nações Unidas (ONU), Héctor Vasconcelos, afirmou que "cabe aos povos soberanos" decidir o destino de seus países, em sessão de emergência do Conselho de Segurança nesta segunda-feira (5), convocada para discutir a mais recente agressão militar dos EUA contra a Venezuela.
"A América Latina e o Caribe se forjaram como uma zona de paz", enfatizou Vaconcelos. "A atual violação desse frágil equilíbrio põe em grave risco a estabilidade política e a segurança da região, bem como o bem-estar de nossos povos", acrescentou.
"Aqueles que justificam esses atos negam a história independente da América Latina e do Caribe", proclamou o representante.

As declarações de Vasconcelos reiteram a posição do governo mexicano em favor do diálogo e da negociação como "as únicas formas legítimas e eficazes de resolver as divergências existentes", repudiando a agressão dos EUA. Ele ofereceu o apoio do México a "qualquer esforço para facilitar o diálogo, mediar ou acompanhar iniciativas que promovam a paz na região".
A gravíssima agressão militar
Os Estados Unidos atacaram a Venezuela no último sábado (3), orquestrando uma operação que, segundo o governo venezuelano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".
- O governo da Venezuela denunciou o ataque como uma "violação flagrante" da Carta das Nações Unidas, que consagra o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força. Caracas enfatizou que não há provas que liguem Maduro ao narcotráfico e alertou que o único interesse dos EUA é o petróleo venezuelano — justificativa confirmada por Trump, que anunciou que seu governo está "no comando" da Venezuela e que explorará o valioso recurso natural.
Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelas autoridades de Caracas como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma a Presidência.
O presidente venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".
Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, provocaram os Estados Unidos à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.
Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.
A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, enviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência". Ela destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".

