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'Sou prisioneiro de guerra', afirma Maduro em tribunal dos EUA

O presidente venezuelano declarou ser inocente perante o juiz Alvin Hellerstein, rejeitando a acusação de narcoterrorismo e demais crimes, pelos quais foi indiciado na justiça americana.
'Sou prisioneiro de guerra', afirma Maduro em tribunal dos EUAGettyimages.ru / XNY / Star Max /

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fez sua primeira declaração desde o sequestro durante a ofensiva militar dos EUA na Venezuela nesta segunda-feira (5), perante a justiça americana. Ele classificou sua prisão como uma violação da soberania do país e denunciou a ação como um ato de guerra.

"Eu sou o presidente da Venezuela e me considero um prisioneiro de guerra. Fui capturado na minha casa em Caracas", asseverou o presidente.

A defesa

O presidente venezuelano foi conduzido ao tribunal sem algemas, vestindo uma camiseta preta e fones de ouvido, presumivelmente para tradução simultânea.

"Não sou culpado, sou um homem decente, ainda sou o presidente do meu país", declarou Maduro perante o juiz Alvin Hellerstein, rejeitando a acusação de narcoterrorismo.

Maduro mencionou que tinha visto a acusação, mas não a havia lido, e que a havia discutido parcialmente com seu advogado. O defensor de Maduro é Barry Pollack, advogado que defendeu o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, contra acusações de conspiração.

A esposa do presidente, Cilia Flores, também se declarou "não culpada, completamente inocente", perante o magistrado.

As acusações

Maduro e Flores enfrentam a primeira audiência perante o sistema judiciário dos EUA após seu sequestro em Caracas no último sábado (3).

O governo dos EUA acusa o presidente de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, e conspiração para possuir essas armas em apoio a atividades criminosas. Sumariamente, ele é acusado de liderar o suposto Cartel dos Sóis.

O presidente e a primeira-dama da Venezuela também enfrentam acusações de colaboração com organizações criminosas classificadas como "terroristas" nos EUA, incluindo cartéis mexicanos. Essas e outras acusações acarretam penas que variam de 20 anos à prisão perpétua.

A gravíssima agressão militar

  • Os Estados Unidos atacaram a Venezuela no último sábado (3), orquestrando uma operação que, segundo o governo venezuelano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de MirandaLa Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".

  • O governo da Venezuela denunciou o ataque como uma "violação flagrante" da Carta das Nações Unidas, que consagra o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força. Caracas enfatizou que não há provas que liguem Maduro ao narcotráfico e alertou que o único interesse dos EUA é o petróleo venezuelano — justificativa confirmada por Trump, que anunciou que seu governo está "no comando" da Venezuela e que explorará o valioso recurso natural.
  • O presidente venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".

  • Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, provocaram os Estados Unidos à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.

  • Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.

  • Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelas autoridades de Caracas como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma como presidente encarregada.

  • A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguezenviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência". Ela destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".