
Venezuela denuncia na ONU que ataques dos EUA estão ligados a recursos naturais

A agressão militar dos EUA contra a Venezuela tem como "elemento central" as enormes reservas naturais da nação caribenha, denunciou o Representante Permanente da Venezuela nas Nações Unidas (ONU), Samuel Moncada, durante sessão de emergência do Conselho de Segurança da ONU, nesta segunda-feira (5).
"A Venezuela é vítima desses ataques por causa de sua riqueza natural. Petróleo, energia, recursos estratégicos e a posição geopolítica do nosso país têm sido historicamente fatores de ganância e pressão externa".

'O verdadeiro árbitro das relações internacionais'
Moncada alertou que o uso da força para controlar recursos, mudar regimes ou redesenhar Estados remete "às piores práticas do colonialismo". Nesse sentido, o governo venezuelano solicitou que o Conselho de Segurança "reafirme o princípio de não adquirir território ou recursos pela força".
"Aceitar essa lógica significa abrir as portas para um mundo profundamente instável, onde países com maior capacidade militar podem decidir o destino político e econômico de outros Estados pela força", alertou o diplomata.
Ele também advertiu que ignorar os ataques, o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e a ameaça dos EUA de novas agressões "envia uma mensagem devastadora ao mundo", insinuando que "a força é o verdadeiro árbitro das relações internacionais".
Uma gravíssima agressão militar
Os Estados Unidos realizaram no sábado (3) um ataque "em grande escala" em território venezuelano que, segundo o Governo do país sul-americano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais entre militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".
Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelo Governo venezuelano como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma interinamente a Presidência.
O mandatário venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".
Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, provocaram os Estados Unidos à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.
Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, enviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência" e destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".

