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'Não há guerra contra a Venezuela', declaram Estados Unidos na ONU

Mike Waltz prometeu que Washington apresentará "provas convincentes" contra Nicolás Maduro por sua suposta "participação em uma ampla conspiração para cometer narcoterrorismo".
'Não há guerra contra a Venezuela', declaram Estados Unidos na ONUGettyimages.ru / Spencer Platt

O representante permanente de Washington na ONU, Mike Waltz, afirmou nesta segunda-feira (5) que seu país não está travando nenhuma guerra contra a Venezuela, apesar da enorme agressão militar lançada pelos EUA em território venezuelano em 3 de janeiro, que culminou com o sequestro do presidente do país latino-americano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores .

Segundo ele, os Estados Unidos realizaram uma "operação rigorosa, facilitada pelos militares americanos, contra dois fugitivos da justiça americana", referindo-se ao presidente venezuelano e sua esposa. 

"Como disse o secretário [de Estado Marco] Rubio, não há guerra contra a Venezuela ou seu povo. Não estamos ocupando o país. Esta foi uma operação de aplicação da lei."

Waltz alegou que o sequestro de Maduro e Flores foi uma transferência aos Estados Unidos para julgamento das acusações criminais conduzidas em tribunais do país. Ele acrescentou que o presidente venezuelano "enfrenta acusações criminais muito graves por sua participação em uma ampla conspiração para cometer narcoterrorismo, tráfico de cocaína e outras drogas, bem como tráfico internacional de armas".

"As provas contundentes de seus crimes serão apresentadas abertamente nos tribunais dos EUA", assegurou.

A gravíssima agressão militar

  • Os Estados Unidos atacaram a Venezuela no último sábado (3), orquestrando uma operação que, segundo o governo venezuelano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de MirandaLa Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".

  • O governo da Venezuela denunciou o ataque como uma "violação flagrante" da Carta das Nações Unidas, que consagra o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força. Caracas enfatizou que não há provas que liguem Maduro ao narcotráfico e alertou que o único interesse dos EUA é o petróleo venezuelano — justificativa confirmada por Trump, que anunciou que seu governo está "no comando" da Venezuela e que explorará o valioso recurso natural.
  • O presidente venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".

  • Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, provocaram os Estados Unidos à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.

  • Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.

  • Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelas autoridades de Caracas como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma como presidente encarregada.

  • A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguezenviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência". Ela destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".