Notícias

Fico denuncia operação dos EUA na Venezuela e condena sequestro de Nicolás Maduro

O premiê eslovaco condenou a operação americana em Caracas, que chamou de "aventura petrolífera" .
Fico denuncia operação dos EUA na Venezuela e condena sequestro de Nicolás MaduroReprodução/Divulgação Redes Sociais/@robertficosk

O primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, durante declaração transmitida no domingo (4), condenou o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro durante o ataque militar dos EUA em território da Venezuela no sábado (3), lamentando o estado de um sistema internacional permissivo com atos de agressão.

"As grandes potências hoje fazem literalmente o que querem. Elas apagaram completamente a existência do direito internacional e a necessidade de defendê-lo".

O premiê criticou o funcionamento da ONU, alegando que o órgão internacional está "de joelhos". "Sem reformas e sem um fortalecimento efetivo de seus poderes, [o Conselho de Segurança] está completamente desarmado", acrescentou.

Uma "nova aventura petrolífera dos EUA"

Fico lamentou que países pequenos como o seu não tenham capacidade real para influenciar tal sistema. "Não podemos fazer nada. Simplesmente assistimos incrédulos enquanto unidades de elite das forças armadas americanas sequestram o presidente da Venezuela, uma nação soberana", declarou.

"Embora não possamos fazer nada, nem mesmo simbolicamente [...], devo condenar e rejeitar categoricamente esta nova aventura petrolífera dos EUA", continuou Fico, reconhecendo que sua posição poderia prejudicar as relações entre a Eslováquia e os EUA.

A gravíssima agressão militar

  • Os Estados Unidos atacaram a Venezuela no último sábado (3), orquestrando uma operação que, segundo o governo venezuelano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de MirandaLa Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".

  • O governo da Venezuela denunciou o ataque como uma "violação flagrante" da Carta das Nações Unidas, que consagra o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força. Caracas enfatizou que não há provas que liguem Maduro ao narcotráfico e alertou que o único interesse dos EUA é o petróleo venezuelano — justificativa confirmada por Trump, que anunciou que seu governo está "no comando" da Venezuela e que explorará o valioso recurso natural.
  • O presidente venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".

  • Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, provocaram os Estados Unidos à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.

  • Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.

  • Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelas autoridades de Caracas como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma como presidente encarregada.

  • A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguezenviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência". Ela destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".