Dois pesos, duas medidas: Rússia denuncia hipocrisia da ONU diante da agressão dos EUA à Venezuela

Moscou rejeitou as tentativas de justificar a agressão americana frente à comunidade internacional na ONU, alertando que as ações de Washington dão "novo ímpeto ao neocolonialismo e ao imperialismo".

O Representante Permanente da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, destacou a inconsistência da comunidade internacional em relação à agressão dos EUA, durante reunião do Conselho de Segurança nesta segunda-feira (5).

"Os murmúrios e tentativas de evitar julgamento por parte daqueles que, em outras situações, teriam exigido veementemente a adesão de outros à Carta da ONU, parecem especialmente hipócritas e inapropriadas hoje", destacou o diplomata.

"Abandonem os dois pesos e duas medidas e parem de tentar justificar um ato tão flagrante de agressão por medo de irritar o ressurgente 'policial' global dos EUA".

Nebenzia salientou que, com as suas ações, Washington está "dando novo ímpeto ao neocolonialismo e ao imperialismo", rejeitado por todos os países do Sul Global.

"Não se pode permitir que os EUA se estabeleçam como uma espécie de juiz supremo incontestado, com o direito de invadir outros países, responsabilizar outros atores, impor punições e executá-las, independentemente dos conceitos de jurisdição internacional, soberania e não intervenção", alertou.

Condenação ao imperalismo

O representante russo repudiou a agressão dos EUA contra a Venezuela e expressou o apoio de Moscou às autoridades venezuelanas durante seu discurso ao Conselho de Segurança da ONU.

"O banditismo em torno do líder venezuelano, que resultou na morte de dezenas de cidadãos venezuelanos e cubanos, tornou-se, aos olhos de muitos, um prenúncio do retorno à era da anarquia e da dominação militar dos EUA, do caos e da ilegalidade que continuam a assolar dezenas de países em várias regiões do mundo", declarou o diplomata russo.

Nebenzia afirmou que "não há e não pode haver qualquer justificativa para o crime cinicamente cometido pelos Estados Unidos em Caracas" e condenou esse ato de agressão, que "viola todas as normas jurídicas internacionais".

Nesse contexto, o representante russo instou os EUA a libertarem o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. "Expressamos nossa firme solidariedade ao povo da Venezuela diante dessa agressão externa", enunciou em apoio integral da "política do Governo Bolivariano de proteção dos interesses nacionais e da soberania do país".

A gravíssima agressão militar