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RT desmente ataque dos EUA ao mausoléu de Hugo Chávez com verificação de imagens

Localizado no Quartel da Montanha 4F (Cuartel de la Montaña), em Caracas, o mausoléu abriga os restos mortais do presidente venezuelano.
RT desmente ataque dos EUA ao mausoléu de Hugo Chávez com verificação de imagensRT / Redes sociais

A RT refutou as alegações de outros veículos de imprensa e contas de redes sociais, demonstrando que o túmulo do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez não foi destruído durante a grande agressão militar dos EUA, lançada em território da Venezuela no sábado (3).

Correspondentes no local confirmaram que o Quartel da Montanha 4F (Cuartel de la Montaña), um edifício multiuso que abriga o mausoléu de Chávez, está intacto e, portanto, as imagens e vídeos que circulam nas redes sociais mostrando a suposta destruição são completamente falsos.

Hugo Chávez: paixão, força e coragem

O comportamento turbulento e marcante do ex-presidente venezuelano fez dele um alvo desejado por jornalistas de todo o mundo durante anos. Poucos presidentes foram tão seguidos, estudados e retratados, a ponto de fazerem parte do elenco de líderes latino-americanos que inspiraram os projetos cinematográficos do diretor Oliver Stone — que conduziu os documentários Lula (2024) e JFK Revisitado (2021), além do filme Snowden: Herói ou Traidor (2016). O filme Meu Amigo Hugo foi lançado em 2014, um ano após a morte de Chávez, compilando depoimentos em homenagem ao líder e memória de seu impacto na história da América Latina.

Para muitos de seus apoiadores, esse interesse internacional respondia ao otimismo de Chávez, sua fé e a convicção de que era possível mudando o mundo e a história.

Travessias em um projeto de soberania regional

Antes de chegar ao poder, sua trajetória foi marcada por vitórias e derrotas. Nascido em 1954 em uma família numerosa, ingressou no exército na década de 1970, onde despertou seu interesse pela política. Fundou o Movimento Bolivariano Revolucionário e, em 1992, liderou uma tentativa de derrubar o presidente Carlos Andrés Pérez, cujo mandato foi marcado por escândalos de corrupção.

Após o fracasso, Chávez assumiu publicamente a responsabilidade pelo levante e foi preso por dois anos, até ser anistado. Desde então, abandonou a luta armada e passou à atividade política legal, fundando o Movimento Quinta República e vencendo as eleições presidenciais de 1999, tornando-se o 52º presidente da Venezuela.

Já no poder, Chávez propôs-se transformar o país com o ímpeto que o caracterizava e enfrentou abertamente os Estados Unidos, que acusava de tentar associá-lo ao narcotráfico para desacreditá-lo na cena internacional. Fiel ao seu estilo direto, ele não se escondia atrás de frases diplomáticas e chegou a pronunciar na Assembleia Geral da ONU sua famosa alusão ao então presidente George W. Bush como "o diabo", intervenção que desencadeou uma onda de ataques da mídia e o consolidou como uma figura polarizadora. Respondendo a pressão externa e buscando fortalecer a cooperação regional, ele impulsionou a criação da ALBA e participou da fundação da CELAC.

Chávez também cultivou uma imagem próxima e chamativa na diplomacia. Em 2010, passeou por Moscou em um carro Lada vermelho, gesto com o qual quis simbolizar tanto a cor de sua ideologia quanto a importância da indústria russa para a Venezuela. Aproveitou essa visita para presentear o então presidente Dmitry Medvedev com produtos venezuelanos, destacando o chocolate de seu país como "o melhor do mundo" e um exemplo de uma cooperação econômica que aspirava se expandir.

Internamente, os sucessos diplomáticos foram acompanhados por uma ampla agenda social. Seu governo implementou diversos programas destinados ao desenvolvimento dos serviços básicos e à alfabetização da população, políticas que consolidaram uma sólida base de apoio popular e lhe permitiram manter a força de seu partido mesmo em um contexto de crescente polarização, como demonstraram as eleições legislativas de 2010.

Uma morte prematura e ecoada

Quase um ano após essas eleições, Chávez anunciou que sofria de câncer. Ele se submeteu a várias cirurgias e ciclos de quimioterapia em Cuba, onde recebeu o apoio próximo de Fidel Castro.

Apesar de sua reconhecida coragem, a doença acabou minando suas forças. O apoio de uma parte considerável do povo venezuelano, visível nas inúmeras manifestações de apoio dentro e fora do país, ficou ligado à memória de uma personalidade arrebatadora e controversa. Consciente da divisão que gerava, o próprio Chávez costumava lembrar que não pretendia agradar a todos: "Não sou uma moedinha de ouro para cair na graça de todos. Nasci assim e sou assim".

Sua figura continua sendo, ainda hoje, um dos símbolos mais debatidos da história recente da América Latina.