Jeffrey Sachs: EUA tentaram mudar 70 governos com intervenções militares

Conselho de Segurança da ONU se reune nesta segunda-feira (5) para discutir a agressão militar de Washington contra a Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro.

Jeffrey Sachs, um dos principais conselheiros da ONU, relembrou as intervenções dos EUA durante sua participação na reunião do Conselho de Segurança nesta segunda-feira (5), convocada para discutir a agressão militar de Washington contra a Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro.

Um longo histórico de ingerência e imposição

"Desde 1947, a política externa dos EUA tem empregado repetidamente a força, operações secretas e manipulação política para provocar mudanças de regime em outros países", declarou Sachs em seu discurso, citando 70 tentativas de intervenções ilegítimas entre 1947 e 1989.

Mesmo após o fim da Guerra Fria — e, com ela, o fim da disputa pela influência mundial contra a União Soviética — as intervenções dos EUA continuaram, alertou Sachs.

"Desde 1989, as principais operações de mudança de regime conduzidas pelos EUA sem autorização do Conselho de Segurança incluíram, entre as mais significativas, o Iraque em 2003, a Líbia em 2011, a Síria a partir de 2011, Honduras em 2009, a Ucrânia em 2014 e a Venezuela a partir de 2002".

Ao mesmo tempo, ele observou que, no ano passado, Washington realizou bombardeios em sete países — Venezuela, Síria, Iraque, Irã, Nigéria, Iêmen e Somália — "nenhum dos quais foi autorizado pelo Conselho de Segurança da ONU, e nenhum dos quais foi realizado em legítima defesa de acordo com a Carta".

O especialista ainda indicou que o Conselho de Segurança foi convocado não para discutir o "caráter do governo venezuelano", mas sim para esclarecer se algum Estado-membro tem o direito de determinar o futuro político da Venezuela ou de exercer controle sobre seus assuntos por meio da força, coerção ou estrangulamento econômico.

Apelo de urgência

O Artigo 2, Seção 4 da Carta das Nações Unidas foi invocado no discurso de Sachs, referindo-se à proibição de ameaça ou uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado.

"O Conselho deve decidir se essa proibição será mantida ou abandonada", continuou, alertando que abandoná-la teria "consequências de grande magnitude".

O conselheiro concluiu sua manifestação provocando as Nações Unidas a recobrar sua autoridade e atualidade, indicando que os caminhos futuros da humanidade são atravessados pela condição da Carta das Nações Unidas a "permanecer um instrumento vivo do direito internacional ou ser deixada definhar até a irrelevância".

"Essa é a escolha que este Conselho enfrenta hoje", concluiu.

A gravíssima agressão militar