
Pressões, sequestro e resistência: o papel de Maduro na defesa da soberania da Venezuela

A trajetória de Maduro é marcada pela continuidade do projeto bolivariano iniciado por Hugo Chávez e pela resistência a sanções, ingerência política e agressões militares por parte dos Estados Unidos. Desde que assumiu a presidência da Venezuela em 2013, após a morte de Chávez, Maduro tem enfrentado um cenário de crescente hostilidade externa e desafios internos intensos.
Maduro nasceu em Caracas em 1962. Antes de entrar na política, foi motorista de ônibus e sindicalista, vinculado ao setor de transporte da capital venezuelana. Sua militância política o aproximou do Movimento Quinta República, liderado por Hugo Chávez, que o integrou ao núcleo estratégico da revolução bolivariana.
Durante o governo Chávez, ocupou cargos relevantes, como deputado constituinte e presidente da Assembleia Nacional. Em 2006, foi nomeado chanceler e representou a Venezuela em fóruns internacionais com forte discurso soberanista e de integração regional. Em 2012, foi designado vice-presidente e, após a morte de Chávez em 2013, foi eleito presidente em pleito popular.
Desde o início de seu governo, Nicolás Maduro foi alvo de uma série de medidas coercitivas por parte dos Estados Unidos e seus aliados, que acusaram Caracas de autoritarismo e má gestão. O governo venezuelano denunciou, por sua vez, uma guerra econômica e uma campanha de desestabilização promovida pelo exterior com apoio de setores internos.

Em 2019, enfrentou uma tentativa de golpe liderada pelo deputado Juan Guaidó, reconhecido por Washington como "presidente interino" sem ter sido eleito para o cargo. Maduro resistiu à ofensiva diplomática e manteve o controle institucional do país, com apoio das Forças Armadas e de países aliados.
Nos últimos meses, o cerco contra a Venezuela atingiu um novo patamar. Em uma operação militar sem precedentes, os Estados Unidos lançaram ataques coordenados contra a cidade de Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. A ofensiva resultou no sequestro de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que foram levados à força para território norte-americano.
Após o ataque, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que Washington comandará a política venezuelana "até que se estabeleça uma transição segura". O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, justificou a ação afirmando que a operação visava garantir acesso a "riquezas e recursos adicionais".
O governo venezuelano classificou a ação como uma "gravíssima agressão militar" e denunciou que o objetivo dos Estados Unidos é tomar os recursos estratégicos do país, em especial o petróleo e os minerais. O deputado Nicolás Maduro Guerra, filho do presidente, afirmou: "Depois se verá, a história dirá quem foram os traidores, a história o revelará".
Atualmente, Nicolás Maduro e Cilia Flores estão detidos no Centro de Detenção Metropolitano de Brooklyn, em Nova York. O Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela nomeou a vice-presidente Delcy Rodríguez como encarregada da Presidência durante a ausência forçada do mandatário.
A trajetória de Nicolás Maduro o posiciona entre os lutadores latino-americanos que desafiaram potências estrangeiras em defesa da soberania nacional. Sua história continua em curso, marcada por enfrentamentos, resistência e um projeto político que reivindica a autodeterminação dos povos.
