Miguel Hidalgo, o padre que acendeu a chama da independência mexicana

Chamado de "pai da pátria mexicana", foi capturado e executado, mas se tornou símbolo da independência

A história da independência do México começa com o nome de Miguel Hidalgo y Costilla, padre católico, intelectual e reformista que rompeu com o conservadorismo de sua época para liderar o primeiro levante popular contra o domínio colonial espanhol. Seu chamado à insurreição ficou conhecido como o Grito de Dolores, marco inicial da luta por soberania no país.

Hidalgo foi uma das primeiras figuras latino-americanas a propor uma mudança radical na ordem colonial, enfrentando tanto o poder da monarquia espanhola quanto as estruturas sociais que sustentavam a desigualdade. Sua trajetória terminou com a captura e execução, mas seu legado atravessou os séculos como símbolo da emancipação mexicana.

Nascido em 1753, Miguel Hidalgo era sacerdote e estudioso. Pensador influenciado pelas ideias iluministas, foi defensor da justiça social e crítico das injustiças promovidas pelo sistema colonial. Com uma visão progressista, buscava reformas sociais e defendia a abolição da escravidão.

Em 16 de setembro de 1810, na cidade de Dolores, Hidalgo tocou o sino da igreja e convocou o povo à rebelião. O ato ficou conhecido como o Grito de Dolores. Seu chamado espalhou-se rapidamente, reunindo camponeses, indígenas e trabalhadores em torno da luta pela independência.

Além da insurreição armada, Hidalgo promoveu medidas de impacto social, como o fim dos tributos para os pobres e o combate à escravidão. Suas ações incomodaram tanto a Coroa espanhola quanto as elites locais, que temiam a perda de privilégios.

Em 1811, Miguel Hidalgo foi traído por Ignacio Elizondo, um oficial que havia se infiltrado entre os insurgentes. Capturado na emboscada de Acatita de Baján, Hidalgo foi julgado e executado em Chihuahua. Antes da execução, teve suas ordens religiosas cassadas.

Apesar da derrota, sua imagem ganhou força com o tempo. Miguel Hidalgo passou a ser visto como mártir da independência e é celebrado anualmente no México, sendo considerado o pai da pátria.

Seu legado inspirou gerações posteriores de lutadores e consolidou a ideia de que a luta por soberania nacional está intimamente ligada à justiça social.