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Nome de Nicolás Maduro é incluído em lista de lutadores latino-americanos contra o imperialismo

Presidente venezuelano é citado ao lado de figuras como Bolívar, Hidalgo, San Martín, Fidel e Che Guevara.
Nome de Nicolás Maduro é incluído em lista de lutadores latino-americanos contra o imperialismoGettyimages.ru / Alfredo Lasry R

Ao longo dos séculos, a história da América Latina evidenciou grandes heróis que dedicaram suas vidas à defesa dos interesses nacionais de seus países e demonstraram resistência às pretensões dos Estados Unidos e da Europa de dominar os destinos das nações da região.

No caminho decisivo rumo ao bem-estar de seus povos, alguns enfrentaram o peso da traição e foram abandonados por aliados próximos. Nem todos os nomes dos traidores são conhecidos hoje, mas a história os revelará de forma inequívoca e os colocará em seu devido lugar, da mesma maneira que enalteceu os heróis nacionais da América Latina.

Libertador Simón Bolívar (1783–1830)

O militar e político venezuelano Simón Bolívar nasceu em Caracas, em 1783, e entrou para a história como o "Libertador da América", após uma luta de duas décadas contra a Coroa espanhola que resultou na independência de Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela.

Desde jovem recebeu formação militar e mostrou vocação para as armas, combinando treinamento prático com estudos teóricos fundamentais para a carreira militar. Durante sua estadia fora da Venezuela, entre 1799 e 1807, estudou história e literatura, entre outras áreas. Esse período foi determinante para consolidar seu pensamento político. Em Roma, em 1805, fez o célebre Juramento do Monte Sacro, comprometendo-se a não descansar até libertar a Hispano-América do domínio espanhol.

Em 1812, escreveu o Manifesto de Cartagena, documento histórico em que conclamou à unidade, qualificando as divisões internas como "veneno mortal".

Um de seus projetos mais emblemáticos foi a criação da Grã-Colômbia — república que existiu entre 1819 e 1831, unindo Colômbia, Equador, Panamá e Venezuela — território que seria, segundo Bolívar, "a maior nação do mundo". Para ele, apenas um Estado forte e unido poderia proteger os interesses nacionais da América.

No entanto, esse projeto foi progressivamente minado por líderes regionais e antigos aliados, como Francisco José de Paula Santander e José Antonio Páez. A desintegração política avançou apesar dos esforços de Bolívar para manter a unidade constitucional e, nos últimos anos de sua vida, ele se encontrou isolado politicamente e abandonado por antigos companheiros.

Miguel Hidalgo (1753–1811)

Miguel Hidalgo y Costilla é lembrado como o responsável por iniciar a guerra de independência do México e uma das figuras fundadoras do Estado mexicano. Sacerdote católico, intelectual e reformista, liderou o primeiro levante popular contra o domínio colonial espanhol.

Em 16 de setembro de 1810, na cidade de Dolores, Hidalgo tocou o sino da igreja, gesto conhecido como o célebre "Grito de Dolores", chamando o povo a se rebelar contra a Coroa espanhola. Esse evento marca oficialmente o início da luta pela independência. O movimento liderado por Hidalgo se expandiu rapidamente e mobilizou amplos setores da população.

Além da atuação militar, Hidalgo promoveu medidas de cunho social, como a abolição da escravidão.

Em 1811, Ignacio Elizondo — oficial que até então havia apoiado a causa — trocou de lado e passou a colaborar com as forças realistas. Elizondo organizou uma emboscada em Acatita de Baján, onde Hidalgo e outros líderes insurgentes foram capturados. O padre foi levado a Chihuahua, onde foi julgado, destituído de sua condição clerical e executado em 30 de julho de 1811.

Apesar da derrota e da morte, Miguel Hidalgo tornou-se símbolo duradouro da luta por independência.

José de San Martín (1778–1850)

José Francisco de San Martín y Matorras foi uma das figuras centrais na luta pela independência da América do Sul.

Nascido na Argentina, serviu no Exército espanhol durante anos até decidir renunciar para se juntar aos movimentos independentistas. Entre seus feitos militares mais destacados está o Cruce dos Andes, em 1817, que garantiu a independência do Chile com a vitória na Batalha de Chacabuco. Em 1821, declarou a independência do Peru.

Durante as tentativas dos realistas de se reorganizarem, San Martín se reuniu com Simón Bolívar, em 1822, na cidade de Guayaquil, para coordenar a guerra de independência. Não chegaram a um acordo e, por isso, San Martín renunciou a todos os seus cargos para evitar divisões. Em 1824, exilou-se na Europa, onde viveu até sua morte em 1850.

Fidel Castro (1926–2016)

Outro lutador emblemático da resistência foi Fidel Castro, chefe do governo revolucionário estabelecido em Cuba em 1959.

Ao abordar a Doutrina Monroe — elaborada em 1823 e usada por Washington para justificar seu controle sobre a América Latina — Castro afirmou que o documento servia para transformar "os povos da América em protetorados".

Em um de seus discursos, declarou que a Doutrina Monroe era o aval de todas as agressões, intervenções e domínios que os Estados Unidos praticaram na região.

Em 1961, comandou pessoalmente a resistência cubana à invasão da Baía dos Porcos por cerca de 1.500 mercenários norte-americanos. No mesmo ano, declarou o primeiro Estado socialista do continente americano.

Há suspeitas de que os EUA tenham estado por trás de diversas tentativas de assassinar Castro. Estima-se que mais de 600 complôs tenham sido organizados para eliminá-lo. Em um deles, a agente Marita Lorenz, com quem Castro teve um relacionamento, teria sido contratada para envenená-lo, mas desistiu da missão no último momento.

Ernesto "Che" Guevara (1928–1967)

A polêmica trajetória do guerrilheiro argentino Ernesto "Che" Guevara é exemplo da luta contra o imperialismo.

Guevara entrou para a história como uma das figuras centrais da Revolução Cubana contra a ditadura de Fulgencio Batista. O primeiro dia de 1959 testemunhou o grande triunfo dos revolucionários e marcou o início de uma nova era na vida dos cubanos. Com Fidel Castro como primeiro-ministro, Guevara presidiu o Banco Nacional de Cuba e depois ocupou o Ministério da Indústria até 1965, quando renunciou aos cargos no governo.

Depois de deixar Cuba, seguiu para a Bolívia para continuar a luta, mas acabou sendo capturado e ferido em 8 de outubro de 1967, na Quebrada del Yuro. Foi levado a La Higuera, onde permaneceu preso por 24 horas antes de ser executado.

A morte de Guevara foi associada a uma possível traição de seu aliado Ciro Bustos. Capturado pelo Exército boliviano, Bustos inicialmente se recusou a colaborar, mas, semanas depois, aceitou falar e desenhar retratos dos guerrilheiros ao perceber que a CIA e o Exército já sabiam de suas identidades. Bustos negou ter qualquer responsabilidade na captura e morte de Guevara.

Hugo Chávez (1954–2013)

Hugo Chávez foi o fundador do movimento cívico-militar de orientação socialista e bolivariana que marcou a história recente da Venezuela e se tornou um problema para a hegemonia de Washington no hemisfério ocidental.

Nascido em 1954 em uma família numerosa, ingressou no Exército Nacional na década de 1970, onde desenvolveu seu interesse pela política. Fundou o Movimento Revolucionário Bolivariano e, em 1992, tentou um golpe de Estado contra o então presidente Carlos Andrés Pérez, cujo mandato foi marcado por diversos escândalos de corrupção. A tentativa fracassou e Chávez foi preso por dois anos. Após sua libertação, retornou à advocacia.

Em 1999, ele venceu as eleições presidenciais. O presidente começou a implementar suas ideias com sua ímpeto característico, entre outras coisas, confrontando um inimigo poderoso, os Estados Unidos.

Hugo Chávez denunciou uma conspiração para envolvê-lo em casos de narcotráfico e alertou que poderia ser processado pessoalmente.

Para unir forças contra a pressão externa e revitalizar a cooperação entre os países latino-americanos, Hugo Chávez promoveu a criação da ALBA. Um passo adiante nessa direção foi dado com o acordo para a fundação da CELAC.

Os sucessos internacionais foram sustentados por diversas medidas importantes tomadas em âmbito nacional. Uma série de programas sociais, incluindo projetos abrangentes para desenvolver serviços básicos e promover a alfabetização, foram essenciais para a sua popularidade entre os cidadãos.

Nicolás Maduro

Em meio às pressões sem precedentes exercidas pelo governo dos Estados Unidos contra a Venezuela nos últimos meses, o presidente venezuelano Nicolás Maduro reafirmou sua firme posição na defesa dos interesses nacionais.

Maduro alertou diversas vezes que Washington deseja se apoderar das riquezas naturais e recursos estratégicos do país, impondo um governo fantoche em Caracas.

As advertências se concretizaram no último fim de semana, quando os EUA lançaram uma agressão militar em território venezuelano, atingindo a cidade de Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. A operação resultou no sequestro de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

Após o ataque, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que será Washington quem dirigirá a política venezuelana até que a Casa Branca considere que o país pode "fazer uma transição segura". O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, defendeu a ação afirmando que ela permitiu acesso a "riquezas e recursos adicionais".

O deputado Nicolás Maduro Guerra, filho do presidente venezuelano, afirmou que seu pai foi vítima de traição e declarou: "Depois se verá, a história dirá quem foram os traidores, a história o revelará".

Segundo o governo de Caracas, a agressão foi uma "gravíssima agressão militar" e teve como objetivo "apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, especialmente petróleo e minerais, tentando quebrar à força a independência política da nação".

O presidente e a primeira-dama foram transferidos aos Estados Unidos e estão detidos no Centro de Detenção Metropolitano de Brooklyn, em Nova York, onde passarão por julgamento. 

O Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma a tarefa da Presidência.

Sequestro de Nicolás Maduro e Cilia Flores

  • No sábado (3), os Estados Unidos lançaram uma grande ofensiva militar em território venezuelano, afetando a cidade de Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. A operação terminou com a captura do presidente do país, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores.
  • Caracas descreveu as ações de Washington como uma "agressão militar gravíssima" e alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão o de se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, particularmente seu petróleo e minerais, numa tentativa de quebrar à força a independência política do país".
  • Após a prisão de Maduro, que o governo venezuelano chamou de "sequestro", a Suprema Corte de Justiça da Venezuela ordenou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assumisse a presidência.
  • O presidente e a primeira-dama da Venezuela foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, em Nova York, aguardando julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".
  • Diversos países ao redor do mundo, incluindo a Rússia, pediram a libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou condenou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer interferência estrangeira.