A presidente do México, Claudia Sheinbaum, criticou nesta segunda-feira (05) a agressão militar que os EUA cometeram no último sábado para sequestrar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores.
"O México reafirma um princípio que não é novo e que não admite ambiguidades: rejeitamos categoricamente a intervenção nos assuntos internos de outros países", afirmou a mandatária em entrevista coletiva.
"A história da América Latina é clara e contundente. A intervenção nunca trouxe democracia, nunca gerou bem-estar nem estabilidade duradoura. Somente os povos podem construir seu próprio futuro, decidir seu caminho, exercer soberania sobre seus recursos naturais e definir livremente sua forma de governo", advertiu.
Ele também lembrou que a posição do México está consagrada tanto na Constituição nacional quanto na Carta das Nações Unidas, que estabelece "de forma inequívoca" o respeito à soberania dos Estados, pelo que a autodeterminação dos povos não é negociável nem opcional, mas sim fundamento do direito internacional.
"A ação unilateral, a invasão, não podem ser a base das relações internacionais do século XXI. Elas não conduzem à paz nem ao desenvolvimento", afirmou.
Sheinbaum explicou que o continente americano enfrenta novos desafios na competição econômica global diante do crescimento da Ásia, mas isso não será resolvido com o uso da força "para subjugar os povos", mas com a cooperação internacional para o desenvolvimento produtivo e o bem-estar social.
"Cada nação tem o direito inalienável de decidir seu modelo político, econômico e social sem pressões externas", afirmou.
Ameaças ao México
Desde sábado, Trump tem ameaçado constantemente o México e outros países da região.
"Algo terá que ser feito com o México", afirmou o presidente norte-americano em meio à comoção mundial causada pela agressão militar ilegal dos EUA à Venezuela que, segundo o próprio Trump reconheceu, tem como principal objetivo ficar com o petróleo do país caribenho. Para isso, os EUA acusaram Maduro de supostos crimes de "narcoterrorismo", o que o governo da Venezuela rejeita, pois não há qualquer prova.
Com relação ao México, o argumento que Trump tem usado desde que assumiu pela segunda vez a presidência dos EUA em janeiro do ano passado é que "os cartéis governam o México", o que tem sido repetidamente negado por Sheinbaum.
Agressões dos EUA e sequestro de Maduro
Os Estados Unidos realizaram no sábado (3) um ataque "em grande escala" em território venezuelano que, segundo o Governo do país sul-americano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais entre militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".
Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelo Governo venezuelano como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma o posto de encarregada da Presidência.
O mandatário venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".
Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, instaram à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.
Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.
A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, enviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência" e destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".