A estratégia de intimidação unilateral prejudicou seriamente a ordem global, enfatizou o presidente chinês Xi Jinping em uma reunião com o primeiro-ministro irlandês Micheál Martin, segundo relatos da mídia chinesa. Esta é sua primeira reação pública após a ofensiva militar dos EUA na Venezuela no último sábado (3).
"O mundo hoje está passando por mudanças e turbulências nunca vistas em um século, com atos unilaterais de hegemonia que minam seriamente a ordem internacional", disse Xi.
"Todos os países devem respeitar os caminhos de desenvolvimento escolhidos independentemente pelos povos de outras nações, cumprir o direito internacional e os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas; e as grandes potências, em particular, devem dar o exemplo a este respeito", sublinhou.
As declarações do mandatário chinês surgiram após críticas anteriores de Pequim aos ataques de Washington contra a Venezuela. Anteriormente, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, afirmou que nenhum país deve assumir o papel de policial ou juiz internacional.
Ele insistiu que a soberania e a segurança de todos os países "devem ser plenamente protegidas pelo direito internacional", enfatizando que seu país sempre se opôs à ameaça ou ao uso da força nas relações internacionais.
A posição da China alinha-se à da Rússia, que condenou a agressão dos EUA contra Caracas desde que os acontecimentos vieram à tona. Moscou afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer interferência estrangeira.
A gravíssima agressão militar
No sábado (03), após o ataque dos EUA que incluiu bombardeios ilegais contra a cidade de Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira, o governo da Venezuela denunciou a "gravíssima agressão militar" e explicou que ela constitui uma "violação flagrante" da Carta das Nações Unidas, que consagra o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força.
Também esclareceu que não há provas que liguem Maduro ao narcotráfico e alertou que o único interesse dos EUA é ficar com o petróleo venezuelano, o que foi confirmado insistentemente por Trump, que em discursos e entrevistas anunciou que seu governo está "no comando" da Venezuela e que explorará o valioso recurso natural.
Os Estados Unidos realizaram no sábado (3) um ataque "em grande escala" em território venezuelano que, segundo o Governo do país sul-americano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais entre militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".
Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelo Governo venezuelano como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma interinamente a Presidência.
O mandatário venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".
Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, instaram à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.