Petro: 'EUA são primeiro país do mundo a bombardear uma capital sul-americana na história'

O presidente colombiano comparou o ataque contra Caracas com episódios históricos de grande impacto simbólico e afirmou que "nem Netanyahu, nem Hitler, nem Franco, nem Salazar fizeram isso".

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou nesta segunda-feira (05) que os Estados Unidos "são o primeiro país do mundo a bombardear uma capital sul-americana em toda a história da humanidade", em referência aos recentes ataques a Caracas.

Por meio de um comunicado no X, Petro destacou que o episódio deixa uma marca duradoura na região e pediu para evitar respostas baseadas em vingança. "A ferida ficará aberta por muito tempo, nossa vingança não deve existir", disse, ao mesmo tempo em que criticou essa lógica, afirmando que "com a ‘vendetta’ não se fazem revoluções" e que "a vingança mata o coração".

Nesse contexto, ele afirmou que os processos de transformação política não devem se basear no ódio nem na retaliação, e comparou o incidente de Caracas com episódios históricos de grande impacto simbólico, sustentando que "nem Netanyahu fez isso, nem Hitler, nem Franco, nem Salazar", acrescentando que se trata de "uma medalha terrível" que, segundo ele, "os sul-americanos não esquecerão por gerações".

Petro também levantou a necessidade de repensar as alianças internacionais e fortalecer a integração regional. "Os parceiros comerciais devem mudar e a América Latina deve se unir ou será tratada como serva e escrava", afirmou. Ele propôs que a prioridade deveria ser uma articulação latino-americana mais sólida, "com a capacidade de entender, comercializar e se unir com todo o mundo".

"Pare de me caluniar, senhor Trump"

Em outro post, Petro respondeu às ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump, que insinuou a possibilidade de realizar contra ele uma operação semelhante à realizada na Venezuela.

"Não se trata de Maduro ser bom ou mau, nem mesmo de ser traficante de drogas”, escreveu, garantindo que nos arquivos judiciais colombianos "não aparecem os nomes de Nicolás Maduro nem de Cilia Flores". Da mesma forma, rejeitou as alusões pessoais: "Meu nome, em 50 anos, não aparece nos arquivos judiciais sobre narcotráfico. Pare de me caluniar, senhor Trump. Não se ameaça assim um presidente latino-americano que surgiu da luta armada e depois da luta pela paz do povo da Colômbia".