
União Europeia não alcança consenso sobre Venezuela após veto da Hungria

A União Europeia não conseguiu aprovar uma declaração conjunta sobre a Venezuela devido à oposição da Hungria. O texto foi divulgado neste domingo (4) em nome da alta representante da UE para Assuntos Exteriores e Política de Segurança, Kaja Kallas, e não em nome de todo o bloco.

No documento, a UE "insta à calma e à moderação de todos os atores" e "recorda que, em qualquer circunstância, devem ser respeitados os princípios do direito internacional e a Carta das Nações Unidas".
A declaração afirma que deve ser "respeitado o direito do povo venezuelano a determinar seu futuro" e que o combate ao crime organizado precisa ocorrer "por meio de uma cooperação sustentada".
Apoios e divergências
Segundo a publicação oficial, "esta declaração conta com o apoio de 26 Estados-membros da UE", com exceção da Hungria.
O texto também informa que a diplomacia europeia mantém "contato estreito com os Estados Unidos, assim como com parceiros regionais e internacionais", para apoiar e facilitar o diálogo entre as partes envolvidas, com o objetivo de alcançar "uma solução negociada, democrática, inclusiva e pacífica para a crise".
A declaração aponta ainda que a UE não reconhece a legitimidade de Nicolás Maduro, apesar de sua vitória nas eleições presidenciais de 2024 ter sido ratificada pelo Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela.
O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, afirmou no sábado (3) que o governo está "em contato permanente com seus embaixadores na região para que nenhum húngaro tenha problemas na Venezuela". Ele acrescentou que há consultas com "os atores mais importantes do setor energético húngaro" para evitar impactos nos preços no país.
Já o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, que apoiou a declaração de Kallas, criticou a política dos Estados Unidos.
"Ao olhar para a Venezuela, não podemos fazer nada na Eslováquia", disse Fico. O premiê avaliou ainda que os últimos acontecimentos internacionais "confirmam que ninguém, especialmente o mais fraco, está a salvo".

