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Caracas pós-ataque: ruas tranquilas, milícias mobilizadas e manifestações pela libertação de Maduro

Na capital venezuelana, milhares de pessoas foram às ruas em repúdio aos bombardeios de Washington e ao sequestro do mandatário.
Caracas pós-ataque: ruas tranquilas, milícias mobilizadas e manifestações pela libertação de Maduro

As ruas de Caracas amanheceram calmas neste domingo (4), um dia após a comoção inicial provocada pelos bombardeios dos Estados Unidos.

Moradores saíram de casa para abastecer-se de alimentos e medicamentos, além de exigir a libertação imediata e incondicional do presidente Nicolás Maduro, sequestrado na véspera por forças dos EUA e transferido ilegalmente, junto com sua esposa, Cilia Flores, para a cidade de Nova York, onde deverá enfrentar um julgamento por acusações infundadas de narcotráfico.

Da mesma forma, segundo constatou a RT, após a entrada em vigor do Decreto de Comoção Exterior anunciado na véspera pela encarregada da Presidência — e vice-presidente — Delcy Rodríguez, milícias populares foram mobilizadas em diferentes pontos da capital para realizar patrulhamento e garantir o controle territorial.

Manifestações de apoio

Neste domingo — em continuidade ao que já havia sido registrado na véspera — milhares de cidadãos percorreram avenidas de Caracas para expressar apoio a Nicolás Maduro, repudiar o sequestro dele e de Cilia Flores e exigir sua libertação imediata.

Em contraste, não foram registradas manifestações de apoio à ala extremista da oposição, que defendeu abertamente a intervenção militar dos Estados Unidos e a imposição de medidas coercitivas unilaterais.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a opositora extremista María Corina Machado não poderá assumir a liderança da Venezuela, argumentando que ela "não tem apoio interno nem respeito dentro do país". Em seu lugar, disse que poderia trabalhar com a vice-presidente Delcy Rodríguez.

Desdobramento policial e de milicianos

Em áreas do leste da cidade, como Los Ruices, foi observada a presença de contingentes policiais e de milicianos, mobilizados de acordo com o previsto no decreto de comoção e com as ordens emitidas neste domingo pelo ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López.

Na noite de sábado, grupos comunitários relataram nas redes sociais a passagem de caravanas motorizadas em ações de patrulhamento por áreas residenciais próximas ao centro histórico de Caracas.

A medida foi considerada conveniente pela população em razão do ataque cibernético sofrido pelo sistema elétrico venezuelano no contexto da agressão dos Estados Unidos, já que algumas áreas de Caracas permaneceram às escuras durante grande parte do sábado.

Resiliência

Outra fonte local relatou à RT que em Catia La Mar, localidade do estado de La Guaira afetada pelos ataques aéreos dos Estados Unidos, muitos moradores faziam compras de alimentos no Mercado Comunitário César Nieves.

Houve insatisfação entre os clientes porque comerciantes teriam se aproveitado da situação para elevar os preços de forma arbitrária. "É um abuso. Os saqueados foram os compradores, que não tiveram outra alternativa senão comprar", escreveu em uma mensagem de texto enviada à RT.

Outra fonte relatou que conseguiu abastecer combustível sem dificuldades em um posto localizado em Las Mercedes, no leste da capital, e aproveitou a ocasião para passar por supermercados e farmácias.

Através de um aplicativo de mensagens, ele informou ainda que os estabelecimentos que vendem alimentos e medicamentos registram grande fluxo de clientes, mas operam normalmente. Destacou ainda que, diferentemente do que foi relatado por moradores de Catia La Mar, os preços permanecem os mesmos do fim de semana passado.

Em Charallave, localidade do estado de Miranda próxima a Caracas, a vida segue com normalidade. A RT confirmou no local a presença de comércios abertos e pessoas circulando pelas ruas, em clima de total tranquilidade.

Muito perto dessa cidade, o Exército dos Estados Unidos bombardeou o Aeroporto privado Caracas, além de infraestrutura ferroviária que conecta a região dos Valles del Tuy à capital e a Autopista Regional del Centro, importante via que permite o deslocamento de Caracas para o centro e o oeste do país.

  • O presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram sequestrados durante o ataque dos Estados Unidos que, entre a noite de sexta-feira e a madrugada de sábado, atingiu Caracas e os estados de Miranda, La Guaira e Aragua.

  • O líder e sua esposa foram transferidos por militares dos Estados Unidos para Nova York, onde deram entrada no Centro de Detenção Metropolitano, uma prisão federal localizada no bairro do Brooklyn, conhecida por já ter abrigado detentos de alto perfil como "El Chapo", Ghislaine Maxwell, Luigi Mangione, P. Diddy e Sam Bankman-Fried.

  • A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pamela Bondi, afirmou que Maduro e Flores "em breve enfrentarão a ira da Justiça norte-americana em solo norte-americano e em tribunais norte-americanos".

  • Após os ataques aéreos em larga escala contra a Venezuela, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que Washington passará a conduzir a política no país até que a Casa Branca considere possível "fazer uma transição segura". "Não podemos correr o risco de que outra pessoa assuma o controle da Venezuela", afirmou.
  • Por sua vez, o Governo venezuelano classificou as ações de Washington como uma "gravíssima agressão militar". Caracas advertiu que o objetivo dos ataques "não é outro senão apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular de seu petróleo e de seus minerais, tentando quebrar pela força a independência política da nação".

  • O Tribunal Supremo de Justicia determinou que a vice-presidente executiva, Delcy Rodríguez, assuma como encarregada da Presidência enquanto o mandatário venezuelano permanecer sequestrado.