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Presidente da Sérvia condena ataque dos EUA contra Venezuela: 'ordem da ONU existe apenas no papel'

Alexander Vucic afirmou que o direito internacional não funciona e que o mundo é regido pela força.
Presidente da Sérvia condena ataque dos EUA contra Venezuela: 'ordem da ONU existe apenas no papel'Gettyimages.ru / Filip Stevanovic/Anadolu

O presidente da Sérvia, Alexander Vucic, afirmou neste domingo (4) que a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela evidenciou a falência do direito internacional e da Carta das Nações Unidas, informou a mídia local. Segundo ele, o episódio demonstra que o sistema internacional deixou de operar de forma efetiva.

De acordo com Vucic, o antigo ordenamento global "está se derrubando" e já não há regras que orientem as relações internacionais.

"O direito internacional público não existe, a ordem da ONU existe apenas no papel", declarou o presidente sérvio. Ele acrescentou que, após a ação na Venezuela, ficou "completamente claro que a Carta das Nações Unidas não funciona".

O mandatário destacou que, para países pequenos, resta apenas defender formalmente esses princípios, mesmo reconhecendo sua fragilidade.

Política contemporânea

Vucic também afirmou que, no mundo, prevalece o poder militar e político.

"No mundo, domina o direito da força e o direito do mais forte. Quem é mais forte, oprime", disse. Para ele, esse é "o único princípio da política contemporânea".

Ao comentar a reação europeia ao ocorrido na Venezuela, Vucic afirmou que representantes de instituições e países da Europa agem movidos por "pequenos interesses" e evitam expressar posições claras.

"Eles não se atrevem a dizer o que pensam", declarou, acrescentando que há incertezas sobre desdobramentos em outras regiões, como a Groenlândia.

'Agressão militar gravíssima'

  • No sábado (3), os Estados Unidos lançaram uma grande ofensiva militar em território venezuelano, afetando a cidade de Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. A operação terminou com a captura do presidente do país, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores.
  • Caracas descreveu as ações de Washington como uma "agressão militar gravíssima" e alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão o de se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, particularmente seu petróleo e minerais, numa tentativa de quebrar à força a independência política do país".
  • Após a prisão de Maduro, que o governo venezuelano chamou de "sequestro", a Suprema Corte de Justiça da Venezuela ordenou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assumisse a presidência.
  • O presidente e a primeira-dama da Venezuela foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, em Nova York, aguardando julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".
  • Diversos países ao redor do mundo, incluindo a Rússia, pediram a libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou condenou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer interferência estrangeira.