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Democratas pedem impeachment de Donald Trump após ataque contra a Venezuela

A ofensiva militar sem aviso prévio ao Congresso norte-americano provocou críticas pontuais até mesmo entre parlamentares do partido do presidente.
Democratas pedem impeachment de Donald Trump após ataque contra a VenezuelaAP / Alex Brandon

A ofensiva unilateral do governo de Donald Trump contra a Venezuela, que incluiu a captura do presidente Nicolás Maduro, provocou forte reação entre parlamentares democratas no Congresso dos Estados Unidos. Segundo o portal Axios, a operação foi realizada sem comunicação prévia ao Capitólio, o que levou parte da bancada a defender a abertura de um processo de impeachment contra o mandatário.

De acordo com o Axios, o episódio ampliou a crise entre a Casa Branca e os democratas, que afirmam ter sido excluídos de uma decisão considerada muito importante para a política externa do país.

"Não recebi absolutamente nenhuma informação nem aviso prévio", declarou ao portal o deputado Gregory Meeks, de Nova York, principal democrata no Comitê de Relações Exteriores da Câmara. Segundo ele, a notícia chegou "pelos meios de comunicação".

Em comunicado conjunto, o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, e o líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, ambos de Nova York, exigiram que o governo forneça explicações aos congressistas "no início da próxima semana".

Enquanto a liderança do partido concentrou a resposta na cobrança por informações e na limitação dos poderes de guerra do Executivo, outros parlamentares adotaram um tom mais duro.

A deputada Delia Ramirez, de Illinois, afirmou que "Trump deve ser submetido a um julgamento político" e defendeu a aprovação de leis para reduzir as prerrogativas presidenciais em ações militares.

O deputado Jared Huffman, da Califórnia, classificou o plano do governo como "verdadeiramente insano" e um "desastre", afirmando ao Axios que o país entrou em "território da 25ª Emenda", mecanismo constitucional para afastar um presidente com base em decisão do gabinete.

"O presidente perdeu a cabeça", escreveu o deputado Gil Cisneros, também da Califórnia, em mensagem enviada ao site.

Críticas além dos democratas

As reações não se limitaram ao Partido Democrata. Parlamentares republicanos críticos do intervencionismo externo também questionaram a decisão. Marjorie Taylor Greene, da Geórgia, e Thomas Massie, do Kentucky, manifestaram dúvidas nas redes sociais.

Já o republicano Brian Fitzpatrick, da Pensilvânia, declarou em comunicado que "o único país que os Estados Unidos deveriam 'dirigir' são os próprios Estados Unidos da América".

'Agressão militar gravíssima'

  • No sábado (3), os Estados Unidos lançaram uma grande ofensiva militar em território venezuelano, afetando a cidade de Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. A operação terminou com a captura do presidente do país, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores.
  • Caracas descreveu as ações de Washington como uma "agressão militar gravíssima" e alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão o de se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, particularmente seu petróleo e minerais, numa tentativa de quebrar à força a independência política do país".
  • Após a prisão de Maduro, que o governo venezuelano chamou de "sequestro", a Suprema Corte de Justiça da Venezuela ordenou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assumisse a presidência.
  • O presidente e a primeira-dama da Venezuela foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, em Nova York, aguardando julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".
  • Diversos países ao redor do mundo, incluindo a Rússia, pediram a libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou condenou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer interferência estrangeira.