
Rubio: Não permitiremos que um país em nosso hemisfério se torne aliado de nossos adversários

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou neste domingo (4) que Washington espera ver mudanças na Venezuela após o sequestro do presidente Nicolás Maduro, e disse que os Estados Unidos estarão acompanhando de perto para entender como essas mudanças acontecem e qual o impacto direto sobre o país.
Durante entrevista à NBC News, ao ser questionado sobre quem agora dirige a Venezuela e se Washington exerce esse papel, Marco Rubio afirmou que a administração do presidente Donald Trump não abandonará o país sul-americano para evitar que ele continue ameaçando a segurança dos Estados Unidos.
"A conclusão é que esperamos ver mudanças na Venezuela. Mudanças de todos os tipos, no longo prazo, no curto prazo; gostaríamos de ver todo tipo de mudança, mas as mudanças mais imediatas são aquelas que atendem ao interesse nacional dos Estados Unidos. É por isso que estamos envolvidos aqui, por como isso se aplica e tem impacto direto nos Estados Unidos", afirmou Rubio.
"Não podemos permitir que, em nosso hemisfério, exista um país que se transforme em um ponto de convergência para as atividades de todos os nossos adversários no mundo. Simplesmente não podemos permitir isso", enfatizou.

Ele acrescentou que Washington não pode aceitar "um país em que as pessoas à frente de suas Forças Armadas e de sua Polícia cooperem abertamente com organizações do narcotráfico". "Essas coisas são ameaças diretas aos Estados Unidos, e temos a intenção de usar todos os elementos de pressão de que dispomos para garantir que isso mude", declarou o alto funcionário.
Da mesma forma, afirmou que Washington estaria apenas exercendo "uma função de aplicação da lei", que não se limita ao sequestro de Nicolás Maduro, mas inclui também a execução das sanções impostas.
"Recorremos aos tribunais, obtemos uma ordem e confiscamos os navios. E acreditamos que isso é uma alavanca tremenda, uma alavanca incrível, paralisante, que pretendemos continuar utilizando até vermos as mudanças que precisamos ver e que beneficiariam o povo dos Estados Unidos. E, por sinal, acreditamos que também o povo da Venezuela", destacou Marco Rubio.
Os Estados Unidos realizaram no sábado (3) um ataque "em grande escala" em território venezuelano que, segundo o Governo do país sul-americano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais entre militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".
Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelo Governo venezuelano como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma interinamente a Presidência.
O mandatário venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".
Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, instaram à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.
