
Rubio afirma que os EUA vão trabalhar com os atuais líderes da Venezuela se eles tomarem 'as decisões corretas'

Os Estados Unidos estão dispostos a trabalhar com as atuais autoridades da Venezuela, desde que elas tomem as "decisões corretas", afirmou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, em entrevista à CBS News.

Questionado sobre se a presidente em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, é uma figura com quem Washington poderia colaborar, Rubio evitou opinar pessoalmente e destacou que a posição do governo americano dependerá das ações que os líderes venezuelanos adotarem a partir de agora.
"Se não tomarem as decisões corretas, os EUA vão recorrer a todos os recursos disponíveis para proteger seus interesses, incluindo o embargo ao petróleo que já está em vigor, entre outras medidas", disse o chefe da diplomacia americana. "Vamos avaliar o futuro, julgar tudo pelo que fizerem e observar de perto suas ações", acrescentou.
Na entrevista, Rubio também foi questionado sobre a possibilidade de intervenção militar na Venezuela. Ele disse que o presidente dos EUA, Donald Trump, "sempre mantém a opção de decidir sobre qualquer assunto" e tem "capacidade e direito" constitucional de agir diante de ameaças "imediatas e graves" ao país.
Rubio destacou que, na prática, já ocorre "um dos maiores deslocamentos navais da história moderna" no hemisfério ocidental, capaz de interceptar tanto "narcolanchas" quanto navios sancionados e de "paralisar" parte significativa da receita venezuelana.
"[Trump] não pretende descartar publicamente as opções disponíveis, embora isso não seja o que se vê agora. O que vemos atualmente é um embargo ao petróleo que nos dá grande influência sobre os próximos acontecimentos", afirmou.
Os Estados Unidos realizaram no sábado (3) um ataque "em grande escala" em território venezuelano que, segundo o Governo do país sul-americano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais entre militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".
Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelo Governo venezuelano como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma interinamente a Presidência.
O mandatário venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".
Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, instaram à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.

