
Chávez previu: 'Acabarão te acusando de narcotráfico'

O líder da Revolução Bolivariana e ex-presidente da Venezuela, Hugo Chávez, alertou há duas décadas sobre as intenções dos Estados Unidos de desestabilizar o país e justificar uma intervenção militar.
Hugo Chávez fue un visionario antiimperialista. Hace años advirtió de lo que haría EEUU, hoy lo hizo con Maduro.pic.twitter.com/6hw5TyG4ph
— Aníbal Garzón 🌎 (@AnibalGarzon) January 3, 2026
Após a agressão militar de Washington em território venezuelano, que no sábado culminou com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, um vídeo do falecido ex-presidente voltou a circular nas redes, mostrando Chávez prevendo um cenário muito semelhante ao que a Venezuela enfrenta atualmente.

Nessas declarações, feitas diante das câmeras do programa Aló Presidente em 2005, Chávez descreve os Estados Unidos como "a nação mais violenta da história da humanidade". "Eles tiveram a audácia de lançar bombas atômicas sobre cidades indefesas. Lá estão Hiroshima e Nagasaki. Que absurdo é esse? Invadiram o Panamá, bombardearam e mataram milhares, queimaram um bairro inteiro para capturar [Manuel] Noriega, acusando-o de traficante de drogas".
"Isso está se aproximando e é uma operação que vem sendo planejada há vários anos. Há algum tempo, alguém me disse: 'vão acabar te acusando de traficante de drogas, diretamente a você, Chávez […] vão tentar aplicar em você a mesma fórmula que usaram com Noriega'", lembrou o líder bolivariano.
Em seguida, ele fala de uma operação de longo prazo supostamente planejada no Pentágono. "Eles estão tentando criar uma associação direta entre Chávez e o narcotráfico. E, depois disso, qualquer coisa passa a ser válida contra um presidente rotulado como traficante", afirmou o mandatário, ao relembrar intervenções de Washington e seu histórico de guerras, como no Iraque.
"Bom, estamos falando dos Estados Unidos. Invadiram o Iraque com a desculpa de que havia armas de destruição em massa. Não havia, nunca houve, mas mesmo assim enforcaram o presidente, sem julgamento nem nada”, disse.
"Um dia, Fidel [Castro] me disse: 'Chávez, se isso acontecer comigo ou com você, se nos invadirem, a última coisa que podemos fazer é repetir o que Saddam fez, se esconder num buraco qualquer. É preciso morrer lutando, Chávez, na linha de frente da batalha'. E é isso que eu faria. Não vou me embrenhar no mato. Vou morrer na linha de frente, com a dignidade de um venezuelano que ama este país", concluiu.
Os Estados Unidos realizaram no sábado (3) um ataque "em grande escala" em território venezuelano que, segundo o Governo do país sul-americano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais entre militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".
Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelo Governo venezuelano como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma interinamente a Presidência.
O mandatário venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".
Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, instaram à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.

