A líder do partido Reagrupamento Nacional da França, Marine Le Pen, criticou neste sábado (3) a operação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, que culminou na prisão do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores.
Em publicação na rede social X, Le Pen defendeu a soberania do país.
"Existe uma razão fundamental para se opor à mudança de regime que os Estados Unidos acabaram de implementar na Venezuela. A soberania dos Estados jamais é negociável, independentemente de seu tamanho, poder ou continente. Ela é inviolável e sagrada", escreveu.
A política francesa afirmou ainda que renunciar ao princípio da soberania em qualquer país é o mesmo que "aceitar nossa própria servidão amanhã".
"Isso seria um perigo mortal, especialmente porque o século XXI já testemunha grandes convulsões geopolíticas que lançam uma sombra permanente de guerra e caos sobre a humanidade", afirmou.
Le Pen pediu que a população venezuelana tenha voz "o mais rápido possível" para escolher "de forma soberana e livre, o futuro que desejam construir para si como nação".
Macron celebra captura de Maduro
O presidente francês, Emmanuel Macron, por sua vez, comemorou a operação dos Estados Unidos. Mais cedo, também em publicação no X, ele afirmou que a Venezuela pode "se alegrar" com a captura de Maduro.
Macron disse esperar que a transição de poder seja "pacífica, democrática e respeitosa da vontade do povo venezuelano".
De acordo com o presidente francês, Paris está em contato com seus "parceiros na região".
"A França está totalmente mobilizada e vigilante, inclusive para garantir a segurança de seus cidadãos durante estes tempos incertos", escreveu Macron.
Agressão militar gravíssima
O governo da Venezuela se pronunciou neste sábado (3) após o primeiro ataque aéreo perpetrado pelos EUA contra a capital Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira, classificado como uma "agressão militar gravíssima".
"Este ato constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, especialmente de seus Artigos 1 e 2, que consagram o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força. Tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais, particularmente na América Latina e no Caribe, e coloca em grave risco a vida de milhões de pessoas", diz o comunicado oficial.
Caracas alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em especial do petróleo e dos minerais, tentando quebrar à força a independência política da nação".