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Brasil reconhece Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela na ausência de Maduro

Chancelaria brasileira reiterou defesa do direito internacional e contrariedade a ''qualquer tipo de invasão territorial''.
Brasil reconhece Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela na ausência de MaduroMinistério das Relações Exteriores - MRE

Maria Laura Rocha, ministra interina das Relações Exteriores do Brasil, afirmou neste sábado (3) que o seu país reconhece a legitimidade do governo de Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela.

"Se na ausência do atual presidente Maduro, é a vice-presidente. Ela está como presidente interina", respondeu Rocha a jornalistas quando questionada sobre o assunto.

Rocha esclareceu ainda que o posicionamento do Brasil sobre os acontecimentos deste sábado foi expresso por meio de uma publicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mais cedo, ele classificou os ataques como "inaceitáveis" e uma "afronta gravíssima" à soberania venezuelana.

"O Brasil continua sendo a favor do direito internacional, que é a posição tradicional brasileira contra qualquer tipo de invasão territorial, pela soberania dos países. Então, o que está na declaração do presidente nesta manhã será a posição do Brasil, que também será representada na reunião do Conselho de Segurança [da ONU] na segunda-feira", prosseguiu Rocha.

Gravíssima agressão militar

O mandatário venezuelano, Nicolás Maduro, foi sequestrado junto com sua esposa neste sábado, durante um ataque em larga escala de Washington. Segundo autoridades dos Estados Unidos, o presidente do país latino-americano e sua companheira "enfrentarão a ira da Justiça norte-americana" nos tribunais do país.

O governo venezuelano classificou as ações de Washington como uma "gravíssima agressão militar". "Este ato constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, especialmente de seus artigos 1 e 2, que consagram o respeito à soberania, à igualdade jurídica dos Estados e à proibição do uso da força. Tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacional, concretamente da América Latina e do Caribe, e coloca em grave risco a vida de milhões de pessoas", afirma um comunicado oficial.

Caracas advertiu que o objetivo dos ataques "não é outro senão se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular de seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da Nação".

Apesar das pressões, a Venezuela respondeu aos Estados Unidos: "Não o conseguirão. Após mais de duzentos anos de independência, o povo e seu governo legítimo permanecem firmes na defesa da soberania e do direito inalienável de decidir seu destino".

Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, pediram a libertação de Maduro e de sua esposa. A chancelaria russa destacou a necessidade de "criar as condições para resolver qualquer conflito existente entre Estados Unidos e Venezuela por meio do diálogo".