Merz evita criticar ataque dos EUA na Venezuela e chama análise jurídica de 'complexa'

No entanto, em comunicado divulgado mais de 12 horas após a operação norte-americana, o chanceler da Alemanha defendeu uma transição ordenada de poder em Caracas.

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, evitou neste sábado (3) fazer críticas diretas ao ataque dos Estados Unidos na Venezuela e afirmou que a avaliação jurídica do episódio é "complexa".

"A classificação jurídica da intervenção dos EUA é complexa. Estamos analisando isso com calma. Fundamentalmente, os princípios do direito internacional devem ser aplicados nas relações entre os Estados", diz um trecho de um comunicado.

A declaração foi divulgada no site do governo alemão cerca de 12 horas após o anúncio da operação norte-americana, que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro.

Merz defendeu que haja estabilidade no país até que um novo governo seja instaurado.

"Agora, não podemos permitir que a instabilidade política se instale na Venezuela. É essencial garantir uma transição ordenada para um governo legitimado por meio de eleições", declarou.

'Agressão militar gravíssima'

O governo da Venezuela se pronunciou no sábado (3) após o primeiro ataque aéreo perpetrado pelos EUA contra a capital Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira, classificado como uma "agressão militar gravíssima".

"Este ato constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, especialmente de seus Artigos 1 e 2, que consagram o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força. Tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais, particularmente na América Latina e no Caribe, e coloca em grave risco a vida de milhões de pessoas", diz o comunicado oficial.

Caracas alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em especial do petróleo e dos minerais, tentando quebrar à força a independência política da nação".

Agressões dos EUA