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Fonte da CIA dentro do governo Maduro ajudou na captura do presidente - New York Times

Jornal também informou que um grupo da agência de espionagem atua diretamente no país desde agosto coletando informações que levaram à captura.
Fonte da CIA dentro do governo Maduro ajudou na captura do presidente - New York TimesGettyimages.ru / David Burnett

Uma fonte da CIA dentro do governo venezuelano monitorou a localização do presidente Nicolás Maduro ao longo dos dias que antecederam sua captura pelo Comando Sul dos Estados Unidos neste sábado (3), informou o jornal The New York Times, citando fontes familiarizadas com a operação.

As fontes informaram ainda que um grupo de agentes da agência de espionagem atua desde agosto diretamente em solo venezuelano, produzindo as informações de inteligência que possibilitaram a captura ocorrida neste sábado. As operações teriam envolvido o uso de drones furtivos para monitorar a posição de Maduro.

"Não está claro como a CIA recrutou a fonte venezuelana que informou os norte-americanos sobre a localização de Maduro. No entanto, ex-funcionários afirmaram que a agência foi claramente favorecida pela recompensa de US$ 50 milhões oferecida pelo governo dos Estados Unidos por informações que levassem à captura do líder venezuelano", esclarece o veículo.

No entanto, as fontes afirmaram que a CIA não teria participado diretamente da operação para o sequestro de Maduro, já que esta teria sido conduzida por comandos de elite da Força Delta do Exército.

Além disso, segundo relataram, a estratégia para a Venezuela foi coordenada entre o subchefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller; o secretário de Estado, Marco Rubio; o secretário de Guerra, Pete Hegseth; e o diretor da CIA, John Ratcliffe, com ligações telefônicas e reuniões por vezes diárias entre eles e com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

''Gravíssima agressão militar''

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, foi sequestrado junto com sua esposa neste sábado, durante um ataque em larga escala de Washington. Segundo autoridades dos Estados Unidos, o presidente do país latino-americano e sua companheira "enfrentarão a ira da Justiça norte-americana" nos tribunais do país.

O governo venezuelano classificou as ações de Washington como uma "gravíssima agressão militar". "Este ato constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, especialmente de seus artigos 1 e 2, que consagram o respeito à soberania, à igualdade jurídica dos Estados e à proibição do uso da força. Tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacional, concretamente da América Latina e do Caribe, e coloca em grave risco a vida de milhões de pessoas", afirma um comunicado oficial.

Caracas advertiu que o objetivo dos ataques "não é outro senão se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular de seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da Nação".

Apesar das pressões, a Venezuela respondeu aos Estados Unidos: "Não o conseguirão. Após mais de duzentos anos de independência, o povo e seu governo legítimo permanecem firmes na defesa da soberania e do direito inalienável de decidir seu destino".

Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, pediram a libertação de Maduro e de sua esposa. A chancelaria russa destacou a necessidade de "criar as condições para resolver qualquer conflito existente entre Estados Unidos e Venezuela por meio do diálogo".