
Conversas com Putin nunca abordaram Maduro ou a Venezuela, alega Trump

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou neste sábado (3) que nunca conversou com Vladimir Putin sobre assuntos relacionados ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

Durante sua coletiva de imprensa, o presidente americano foi questionado se havia discutido a Venezuela e seu presidente em recente telefonema com Putin. "Nunca falamos sobre Maduro", respondeu.
Provocado por repórteres a comentar o conflito ucraniano, Trump aproveitou a deixa para um elogio à sua disposição para resolução de conflitos. "Agora já estou em oito e um quarto", enumerou Trump, aludindo a uma vitória parcial pelo cessar-fogo entre a Tailândia e o Camboja, que alega ter resolvido "em cerca de cinco horas".
Ele confessou novamente que pensava que a crise ucraniana seria "uma das mais fáceis" de resolver. "Não é, e ambos os lados fizeram coisas muito ruins. E veja bem, essa é a guerra do [ex-presidente Joe] Biden. Não é a minha guerra", enfatizou.
Agressão militar e sequestro de Maduro
Fortes explosões sacudiram a capital da Venezuela na madrugada de sábado (3), atingindo o complexo militar de Fuerte Tiuna e a base aérea de La Carlota, segundo testemunhas.
O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o ataque naquela noite, afirmando que Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e levados "para fora do país". A detenção foi posteriormente confirmada pela vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, que exigiu que o governo dos EUA fornecesse "prova imediata de vida" dos ambos.
O governo venezuelano emitiu comunicado oficial após o primeiro ataque aéreo dos EUA contra a cidade de Caracas, identificando outras explosões nos estados de "Miranda, Aragua e La Guaira", classificando a operação como uma "agressão militar extremamente grave".
"Este ato constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, especialmente dos Artigos 1 e 2, que consagram o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força. Tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais, particularmente na América Latina e no Caribe, e põe em grave risco a vida de milhões de pessoas", escreve o documento.
Caracas alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão o apoderamento dos recursos estratégicos da Venezuela, particularmente seu petróleo e minerais, em uma tentativa de romper à força a independência política do país", convocando a população venezuelana à mobilização em defesa de sua soberania.
Apesar da pressão, a Venezuela alertou que os agressores americanos "não terão sucesso", enfatizando o histórico bicentenário do país na "defesa de sua soberania e do direito inalienável de decidir seu próprio destino".
Agressões dos EUA
- Escalada militar: em agosto, os Estados Unidos enviaram navios de guerra, submarino, caças e tropas para a costa da Venezuela, sob o pretexto de "combater o narcotráfico". Desde então, foram realizados vários bombardeios a supostas lanchas com drogas no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, matando dezenas de pessoas.
- Falsos pretextos: Washington acusou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sem provas ou fundamentação, de liderar um suposto "cartel de drogas". As mesmas acusações infundadas foram feitas contra o presidente colombiano Gustavo Petro, que condenou os ataques mortais contra embarcações nas águas da região.
- Infiltrações de inteligência: Donald Trump admitiu ter autorizado a CIA a realizar operações secretas em território venezuelano, em meados de outubro. Maduro indagou: "Alguém acredita que a CIA não opera na Venezuela há 60 anos? (...) [Que] não conspira contra o comandante Chávez e contra mim há 26 anos?"
- Postura venezuelana: Maduro denuncia que o verdadeiro objetivo dos EUA é uma "mudança de regime" para se apoderar da imensa riqueza de petróleo e gás da Venezuela.
- Condenação internacional: O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou os bombardeios realizados pelos EUA contra pequenas embarcações, sob alegações de "combate ao narcotráfico", que resultaram em pelo menos 100 mortos. Os bombardeios também foram condenados pelos governos de países como Rússia, Colômbia, México e Brasil. Peritos da ONU afirmaram que as ações americanas se tratam de "execuções sumárias", em violação ao direito internacional.


