EUA mobilizaram mais de 150 aeronaves em ataque coordenado contra Venezuela

General norte-americano descreve operação de intervenção com coordenação hemisférica.

O chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, Dan Caine, revelou neste sábado (3) os detalhes da operação militar conduzida por Washington contra a Venezuela. Em pronunciamento à imprensa, o general destacou a dimensão e o grau de coordenação da ação, que envolveu uma ampla mobilização aérea no continente.

"A palavra integração não alcança a descrever a enorme complexidade de semelhante missão. E a operação de extração foi tão precisa que envolveu mais de 150 aeronaves decolando em todo o hemisfério ocidental, em estreita coordenação, confluindo no momento e lugar precisos para combinar seus efeitos com um único propósito: introduzir uma força de intervenção no centro de Caracas, mantendo ao mesmo tempo o elemento de surpresa tática", declarou Caine.

As declarações marcam a primeira vez que o alto comando militar dos Estados Unidos reconhece publicamente os detalhes logísticos do ataque. Segundo Caine, a operação exigiu sincronização entre múltiplas bases aéreas e canais de comunicação militares em diferentes países do hemisfério.

"Agressão militar extremamente grave"

O governo venezuelano classificou o ataque aéreo, ocorrido neste sábado em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, como uma "agressão militar muito grave".

Em comunicado, Caracas afirmou que a ação constitui uma violação da Carta das Nações Unidas, especialmente dos Artigos 1 e 2, que garantem soberania e proíbem o uso da força, e alertou que tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais, principalmente na América Latina e no Caribe.

Explosões foram ouvidas em várias partes da capital nas primeiras horas da manhã, e helicópteros foram vistos sobrevoando a cidade. Segundo o governo, o objetivo dos ataques seria se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, especialmente petróleo e minerais, em uma tentativa de violar a soberania do país.

Apesar da pressão, a Venezuela garantiu que os EUA "não terão sucesso. Após mais de duzentos anos de independência, o povo e seu governo legítimo permanecem firmes na defesa de sua soberania e do direito de decidir seu próprio destino". Caracas alertou que tentativas de impor uma "mudança de regime" fracassarão, assim como todas as anteriores. 

Agressões dos EUA