Trump faz coletiva de imprensa após ataques à Venezuela e sequestro de Maduro

O presidente dos EUA anunciou que o presidente venezuelano seguirá para território americano, onde enfrentará acusações criminais. Caracas denunciou a operação conduzida neste sábado (3) como uma "agressão militar extremamente grave" contra o país.

O presidente dos EUA, Donald Trump, realizou uma coletiva de imprensa neste sábado (3), após o lançamento de um ataque em larga escala contra a Venezuela, que bombardeou diferentes regiões do país e sequestrou o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa.

Trump iniciou seu discurso exaltando a agressão ao país como uma operação que "não se via desde a Segunda Guerra Mundial". "Velocidade, poder, precisão e competência impressionantes. Raramente se vê algo assim",afirmou a repórteres.

O êxito da ação, de acordo com o presidente americano, foi possível devido à capacidade excepcional das Forças Armadas dos Estados Unidos, alegando dispor do "exército mais forte e temível do planeta" e do "melhor equipamento do mundo".

O presidente ainda alertou que os EUA seguem preparados para reproduzir sua intervenção militar, embora tenha descartado momentaneamente a necessidade de repetir a agressão. "A primeira onda (...) foi tão bem-sucedida que provavelmente não precisaremos realizar uma segunda, mas estamos preparados para lançar uma segunda onda. Uma onda muito maior, aliás", afirmou Trump. 

Tutela

"Paz, liberdade e justiça para o grande povo da Venezuela" foram os desejos invocados por Trump para a condução da operação e de suas repercussões. Seus votos incluíram imigrantes venezuelanos que vivem nos Estados Unidos e "querem retornar à sua terra natal".

Tais repercussões foram planejadas no escopo da operação, declarou Trump, ao revelar suas intenções para que Washington lidere o processo político na Venezuela até que a Casa Branca acredite que seja possível "fazer uma transição segura".

"Não podemos correr o risco de que outra pessoa assuma o controle da Venezuela. Alguém que não tenha os melhores interesses do povo venezuelano em mente. Há décadas dizemos que não vamos permitir que isso aconteça. E agora chegamos lá", declarou. "Ficaremos até que haja uma transição adequada."

A prisão do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores, foi posteriormente confirmada pela vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, que exigiu que o governo americano fornecesse "prova imediata de que ambos estão vivos". 

Trump confirmou que Maduro e Flores em breve enfrentarão "todo o rigor da justiça americana", em referência à acusação protocolada no estado de Nova York, que atribuiu ao líder venezuelano e outras figuras de seu governo a acusação pelos crimes de narcoterrorismo, conspiração para tráfico de cocaína, posse de artefatos destrutivos e conspiração para a posse de artefatos destrutivos.

"Neste momento, eles estão em um navio. Eles seguirão para Nova York", afirmou o presidente americano.

"Agressão militar extremamente grave"

O governo venezuelano classificou o ataque aéreo, ocorrido neste sábado em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, como uma "agressão militar extremamente grave".

Em comunicado, Caracas afirmou que a ação constitui uma violação da Carta das Nações Unidas, especialmente dos Artigos 1 e 2, que garantem soberania e proíbem o uso da força, e alertou que tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais, principalmente na América Latina e no Caribe.

Explosões foram ouvidas em várias partes da capital nas primeiras horas da manhã, e helicópteros foram vistos sobrevoando a cidade. Segundo o governo, o objetivo dos ataques seria se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, especialmente petróleo e minerais, em uma tentativa de violar a soberania do país.

Apesar da pressão, a Venezuela garantiu que os EUA "não terão sucesso. Após mais de duzentos anos de independência, o povo e seu governo legítimo permanecem firmes na defesa de sua soberania e do direito de decidir seu próprio destino". Caracas alertou que tentativas de impor uma "mudança de regime" fracassarão, assim como todas as anteriores. 

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