França critica operação militar que sequestrou Nicolás Maduro e alerta para riscos globais

Ministro francês afirma que violação do direito internacional ameaça segurança mundial e defende autodeterminação do povo venezuelano.

O governo francês condenou neste sábado (3) a operação militar que resultou no sequestro de Nicolás Maduro, afirmando que a ação viola princípios fundamentais do direito internacional e pode gerar consequências graves para a segurança global. A declaração foi feita pelo ministro Jean-Noël Barrot, por meio de uma publicação nas redes sociais.

Segundo Barrot, a ofensiva contraria o princípio de não uso da força, base do direito internacional, e representa uma ameaça à estabilidade mundial. Ele alertou que, quando países com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU recorrem a esse tipo de violação, os efeitos recaem sobre toda a comunidade internacional.

"A multiplicação das violações desse princípio por nações investidas de responsabilidade no Conselho de Segurança terá graves consequências sobre a segurança do mundo, que não pouparão ninguém", escreveu. Ele acrescentou que a França, instruída pela história, "se prepara, mas não pode se resignar".

O ministro ressaltou ainda que nenhuma solução política duradoura pode ser imposta de fora e que somente os povos soberanos têm o direito de decidir seus próprios caminhos. Reafirmando o compromisso da França com a Carta das Nações Unidas, Barrot defendeu que o documento siga como guia da atuação internacional dos Estados.

Na nota, o ministro também fez críticas ao governo venezuelano. Para Barrot, Nicolás Maduro cometeu "grave violação à dignidade" do povo ao privá-lo de suas liberdades e do direito à autodeterminação. Mas afirmou que a França segue comprometida com o respeito à soberania popular da Venezuela.

"Agressão militar extremamente grave"

O governo venezuelano classificou o ataque aéreo, ocorrido neste sábado em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, como uma "agressão militar muito grave".

Em comunicado, Caracas afirmou que a ação constitui uma violação da Carta das Nações Unidas, especialmente dos Artigos 1 e 2, que garantem soberania e proíbem o uso da força, e alertou que tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais, principalmente na América Latina e no Caribe.

Explosões foram ouvidas em várias partes da capital nas primeiras horas da manhã, e helicópteros foram vistos sobrevoando a cidade. Segundo o governo, o objetivo dos ataques seria se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, especialmente petróleo e minerais, em uma tentativa de violar a soberania do país.

Apesar da pressão, a Venezuela garantiu que os EUA "não terão sucesso. Após mais de duzentos anos de independência, o povo e seu governo legítimo permanecem firmes na defesa de sua soberania e do direito de decidir seu próprio destino". Caracas alertou que tentativas de impor uma "mudança de regime" fracassarão, assim como todas as anteriores. 

Agressões dos EUA