
Podemos defende ruptura com EUA e saída da OTAN após ataque a Venezuela

O partido espanhol Podemos condenou o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, realizado na madrugada de sábado (3), e defendeu uma resposta imediata por parte do governo da Espanha.

A legenda pediu o rompimento de relações diplomáticas com Washington e a saída do país da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
A reação foi liderada pela secretária-geral do partido, Ione Belarra, que se manifestou em sua conta oficial na rede social X.
"Os EUA acham que o mundo lhes pertence e que podem fazer com os povos o que quiserem. Não podemos permitir isso. Minha rejeição mais profunda a este ataque à Venezuela. A Espanha é um país de paz. Rompamos relações com os EUA e saiamos da OTAN antes que seja tarde", escreveu.
O comunicado do Podemos afirma que os bombardeios atingiram alvos civis e militares em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. Segundo o partido, a ofensiva norte-americana representa uma violação do direito internacional, da soberania venezuelana e uma ameaça à paz regional.
A legenda também denunciou o sequestro de Nicolás Maduro, exigiu a libertação imediata do presidente venezuelano e condenou o que classificou como uma tentativa de "usurpação dos recursos estratégicos" da Venezuela, com o objetivo de redesenhar o mapa político da América Latina. O partido acusa Washington de atuar com impunidade e seletividade diante do direito internacional.
O Podemos também convocou os governos da América Latina, da União Europeia e, em especial, da Espanha, a adotarem medidas contra a ofensiva norte-americana. A legenda defende que a saída da OTAN e o rompimento com os EUA são necessários para preservar a paz e a soberania dos povos.
Por fim, o partido expressou solidariedade ao povo venezuelano e reiterou seu apoio a uma mobilização popular global contra a política externa de Washington.
"Agressão militar extremamente grave"
O governo venezuelano classificou o ataque aéreo, ocorrido neste sábado em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, como uma "agressão militar muito grave".
Em comunicado, Caracas afirmou que a ação constitui uma violação da Carta das Nações Unidas, especialmente dos Artigos 1 e 2, que garantem soberania e proíbem o uso da força, e alertou que tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais, principalmente na América Latina e no Caribe.
Explosões foram ouvidas em várias partes da capital nas primeiras horas da manhã, e helicópteros foram vistos sobrevoando a cidade. Segundo o governo, o objetivo dos ataques seria se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, especialmente petróleo e minerais, em uma tentativa de violar a soberania do país.
Apesar da pressão, a Venezuela garantiu que os EUA "não terão sucesso. Após mais de duzentos anos de independência, o povo e seu governo legítimo permanecem firmes na defesa de sua soberania e do direito de decidir seu próprio destino". Caracas alertou que tentativas de impor uma "mudança de regime" fracassarão, assim como todas as anteriores.
Agressões dos EUA
- Escalada militar: em agosto, os Estados Unidos enviaram navios de guerra, submarino, caças e tropas para a costa da Venezuela, sob o pretexto de "combater o narcotráfico". Desde então, foram realizados vários bombardeios a supostas lanchas com drogas no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, matando dezenas de pessoas.
- Falsos pretextos: Washington acusou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sem provas ou fundamentação, de liderar um suposto "cartel de drogas". As mesmas acusações infundadas foram feitas contra o presidente colombiano Gustavo Petro, que condenou os ataques mortais contra embarcações nas águas da região.
- Infiltrações de inteligência: Donald Trump admitiu ter autorizado a CIA a realizar operações secretas em território venezuelano, em meados de outubro. Maduro indagou: "Alguém acredita que a CIA não opera na Venezuela há 60 anos? (...) [Que] não conspira contra o comandante Chávez e contra mim há 26 anos?", perguntou ele.
- Postura venezuelana: Maduro denuncia que o verdadeiro objetivo dos EUA é uma "mudança de regime" para se apoderar da imensa riqueza de petróleo e gás da Venezuela.
- Condenação internacional: O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou os bombardeios realizados pelos EUA contra pequenas embarcações, sob alegações de "combate ao narcotráfico", que resultaram em pelo menos 100 mortos. Os bombardeios também foram condenados pelos governos de países como Rússia, Colômbia, México e Brasil. Peritos da ONU afirmaram que as ações americanas se tratam de "execuções sumárias", em violação ao direito internacional
- Escalada militar: em agosto, os Estados Unidos enviaram navios de guerra, submarino, caças e tropas para a costa da Venezuela, sob o pretexto de "combater o narcotráfico". Desde então, foram realizados vários bombardeios a supostas lanchas com drogas no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, matando dezenas de pessoas.


