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Secretário-Geral da ONU se diz 'alarmado' com ataques dos EUA à Venezuela

António Guterres alertou que, independentemente do contexto na Venezuela, os ataques representam um "precedente perigoso".
Secretário-Geral da ONU se diz 'alarmado' com ataques dos EUA à VenezuelaGettyimages.ru / Selcuk Acar/Anadolu

António Guterres, secretário-geral da ONU, afirmou estar "alarmado" com os ataques militares dos Estados Unidos à Venezuela na madrugada deste sábado (3) e manifestou preocupação com o desrespeito ao direito internacional.

Em comunicado no perfil oficial da ONU na rede X, Guterres apela "a todos os atores na Venezuela para que se engajem em um diálogo inclusivo, no respeito aos direitos humanos e ao Estado de Direito".

O secretário-geral alertou que, independentemente do contexto na Venezuela, os ataques representam um "precedente perigoso". Ele ressaltou a importância de que todos os países respeitem plenamente o direito internacional, incluindo a Carta das Nações Unidas, e demonstrou profunda preocupação com o fato de que as normas internacionais não estão sendo cumpridas.

Agressão militar gravíssima

O governo da Venezuela se pronunciou no sábado (3) após o primeiro ataque aéreo perpetrado pelos EUA contra a capital Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira, classificado como uma "agressão militar gravíssima".

"Este ato constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, especialmente de seus Artigos 1 e 2, que consagram o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força. Tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais, particularmente na América Latina e no Caribe, e coloca em grave risco a vida de milhões de pessoas", diz o comunicado oficial.

Caracas alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em especial do petróleo e dos minerais, tentando quebrar à força a independência política da nação".

Agressões dos EUA

  • Escalada militar: em agosto, os Estados Unidos enviaram navios de guerra, submarino, caças e tropas para a costa da Venezuela, sob o pretexto de "combater o narcotráfico". Desde então, foram realizados vários bombardeios a supostas lanchas com drogas no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, matando dezenas de pessoas.
  • Falsos pretextos: Washington acusou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sem provas ou fundamentação, de liderar um suposto "cartel de drogas". As mesmas acusações infundadas foram feitas contra o presidente colombiano Gustavo Petro, que condenou os ataques mortais contra embarcações nas águas da região.
  • Infiltrações de inteligência: Donald Trump admitiu ter autorizado a CIA a realizar operações secretas em território venezuelano, em meados de outubro. Maduro indagou: "Alguém acredita que a CIA não opera na Venezuela há 60 anos? (...) [Que] não conspira contra o comandante Chávez e contra mim há 26 anos?", perguntou ele.
  • Postura venezuelana: Maduro denuncia que o verdadeiro objetivo dos EUA é uma "mudança de regime" para se apoderar da imensa riqueza de petróleo e gás da Venezuela.
  • Condenação internacional: O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou os bombardeios realizados pelos EUA contra pequenas embarcações, sob alegações de "combate ao narcotráfico", que resultaram em pelo menos 100 mortos. Os bombardeios também foram condenados pelos governos de países como Rússia, ColômbiaMéxico e Brasil. Peritos da ONU afirmaram que as ações americanas se tratam de "execuções sumárias", em violação ao direito internacional