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'Maduro resiste': multidão venezuelana toma ruas de Caracas contra agressão dos EUA

Manifestantes se reúnem perto de Miraflores exigindo a libertação de Nicolás Maduro e sua esposa.
'Maduro resiste': multidão venezuelana toma ruas de Caracas contra agressão dos EUAReprodução/Divulgação Redes Sociais

O povo venezuelano se mobilizou neste sábado (3) nos arredores do Palácio de Miraflores, em Caracas, em apoio ao presidente Nicolás Madurosequestrado junto com sua esposa, Cilia Flores, por forças dos Estados Unidos. 

Vídeos publicados nas redes sociais registraram as palavras de ordem entoadas pelo povo mobilizado em clamor pela resistência contra o ato americano de agressão. "Maduro resiste enquanto o povo se levanta", bradam os manifestantes.

O ministro para o Trabalho Social, Eduardo Piñate, declarou que a mobilização popular nas ruas, exigindo provas de vida do presidente constitucional Nicolás Maduro, representa a reação de uma cidadania digna e combativa, plenamente consciente do papel histórico que ocupa.

Piñate também reiterou que o povo da Venezuela "não se submete a ninguém" e afirmou que sua força e determinação seguem firmes na defesa da pátria e da soberania nacional.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou a ação militar contra a Venezuela, classificada por Caracas como uma "agressão" com o objetivo de promover uma "mudança de regime" e tomar o controle das riquezas nacionais, em especial o petróleo e o gás.

"Os Estados Unidos realizaram com sucesso um ataque em larga escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que, junto com sua esposa, foi capturado e levado para fora do país", escreveu Trump na rede Truth Social.

"Agressão militar extremamente grave"

O governo venezuelano classificou o ataque aéreo, ocorrido neste sábado em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, como uma "agressão militar muito grave".

Em comunicado, Caracas afirmou que a ação constitui uma violação da Carta das Nações Unidas, especialmente dos Artigos 1 e 2, que garantem soberania e proíbem o uso da força, e alertou que tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais, principalmente na América Latina e no Caribe.

Explosões foram ouvidas em várias partes da capital nas primeiras horas da manhã, e helicópteros foram vistos sobrevoando a cidade. Segundo o governo, o objetivo dos ataques seria se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, especialmente petróleo e minerais, em uma tentativa de violar a soberania do país.

Apesar da pressão, a Venezuela garantiu que os EUA "não terão sucesso. Após mais de duzentos anos de independência, o povo e seu governo legítimo permanecem firmes na defesa de sua soberania e do direito de decidir seu próprio destino". Caracas alertou que tentativas de impor uma "mudança de regime" fracassarão, assim como todas as anteriores. 

Agressões dos EUA

  • Escalada militar: em agosto, os Estados Unidos enviaram navios de guerra, submarino, caças e tropas para a costa da Venezuela, sob o pretexto de "combater o narcotráfico". Desde então, foram realizados vários bombardeios a supostas lanchas com drogas no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, matando dezenas de pessoas.
  • Falsos pretextos: Washington acusou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sem provas ou fundamentação, de liderar um suposto "cartel de drogas". As mesmas acusações infundadas foram feitas contra o presidente colombiano Gustavo Petro, que condenou os ataques mortais contra embarcações nas águas da região.
  • Infiltrações de inteligência: Donald Trump admitiu ter autorizado a CIA a realizar operações secretas em território venezuelano, em meados de outubro. Maduro indagou: "Alguém acredita que a CIA não opera na Venezuela há 60 anos? (...) [Que] não conspira contra o comandante Chávez e contra mim há 26 anos?", perguntou ele.
  • Postura venezuelana: Maduro denuncia que o verdadeiro objetivo dos EUA é uma "mudança de regime" para se apoderar da imensa riqueza de petróleo e gás da Venezuela.
  • Condenação internacional: O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou os bombardeios realizados pelos EUA contra pequenas embarcações, sob alegações de "combate ao narcotráfico", que resultaram em pelo menos 100 mortos. Os bombardeios também foram condenados pelos governos de países como Rússia, ColômbiaMéxico e Brasil. Peritos da ONU afirmaram que as ações americanas se tratam de "execuções sumárias", em violação ao direito internacional
  • Escalada militar: em agosto, os Estados Unidos enviaram navios de guerra, submarino, caças e tropas para a costa da Venezuela, sob o pretexto de "combater o narcotráfico". Desde então, foram realizados vários bombardeios a supostas lanchas com drogas no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, matando dezenas de pessoas.