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Trump diz que Maduro estava em uma 'fortaleza' durante ataque dos EUA à Venezuela

O presidente dos EUA afirmou ainda que o ataque seria feito "quatro dias atrás", mas que as condições climáticas "não estavam perfeitas".
Trump diz que Maduro estava em uma 'fortaleza' durante ataque dos EUA à VenezuelaGettyimages.ru / Jesus Vargas /

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou neste sábado (3), em entrevista à Fox News, que o presidente da Venezuela Nicolás Maduro estava em uma espécie de "fortaleza" durante a ação realizada hoje por Washington contra Caracas.

"[Maduro] estava em uma casa que parecia mais uma fortaleza do que uma residência. Tinha portas de aço. Tinha o que chamam de perímetro de segurança, com aço massivo ao redor. Ele não conseguiu fechar esse perímetro. Tentou entrar, mas o surpreenderam tão rapidamente que não conseguiu. Estávamos preparados. Tínhamos, sabe, maçaricos enormes e tudo o que era necessário para cortar aquele aço. Mas não precisamos usar. Ele nem chegou a essa parte da casa", afirmou Trump.

O presidente dos EUA afirmou ainda que o ataque seria feito "quatro dias atrás", mas o tempo "não estava perfeito".

"O tempo precisa estar perfeito. E tivemos um tempo perfeito. Um tempo muito bom. Um pouco mais de nuvens do que esperávamos. Estava tudo bem. Esperamos quatro dias. Íamos fazer isso há quatro dias, três dias, dois dias. E de repente, a oportunidade surgiu e dissemos: 'Vamos lá'. E vou te dizer, foi simplesmente incrível", concluiu ele.

Trump declarou que, durante o ataque desta noite, que atingiu a capital venezuelana e os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, Maduro e a primeira-dama foram capturados e levados "para fora do país".

A detenção foi posteriormente confirmada pela vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, que exigiu do governo dos EUA uma "prova de vida imediata" de ambos.

A procuradora-geral americana, Pamela Bondi, afirmou que Maduro e sua esposa, Cilia Flores, também capturada, "em breve enfrentarão a Justiça dos Estados Unidos em solo americano e em tribunais americanos".

"Nicolás Maduro foi acusado de conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos", afirmou Bondi em uma publicação no X observando que tanto o presidente venezuelano quanto a primeira-dama foram indiciados no Distrito Sul de Nova York.

"Agressão militar extremamente grave"

O governo venezuelano classificou o ataque aéreo, ocorrido neste sábado (3) em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, como uma "agressão militar muito grave".

Em comunicado, Caracas afirmou que a ação constitui uma violação da Carta das Nações Unidas, especialmente dos Artigos 1 e 2, que garantem soberania e proíbem o uso da força, e alertou que tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais, principalmente na América Latina e no Caribe.

Explosões foram ouvidas em várias partes da capital nas primeiras horas da manhã, e helicópteros foram vistos sobrevoando a cidade. Segundo o governo, o objetivo dos ataques seria se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, especialmente petróleo e minerais, em uma tentativa de violar a soberania do país.

Apesar da pressão, a Venezuela garantiu que os EUA "não terão sucesso. Após mais de duzentos anos de independência, o povo e seu governo legítimo permanecem firmes na defesa de sua soberania e do direito de decidir seu próprio destino". Caracas alertou que tentativas de impor uma "mudança de regime" fracassarão, assim como todas as anteriores. 

Agressões dos EUA

  • Escalada militar: em agosto, os Estados Unidos enviaram navios de guerra, submarino, caças e tropas para a costa da Venezuela, sob o pretexto de "combater o narcotráfico". Desde então, foram realizados vários bombardeios a supostas lanchas com drogas no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, matando dezenas de pessoas.
  • Falsos pretextos: Washington acusou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sem provas ou fundamentação, de liderar um suposto "cartel de drogas". As mesmas acusações infundadas foram feitas contra o presidente colombiano Gustavo Petro, que condenou os ataques mortais contra embarcações nas águas da região.
  • Infiltrações de inteligência: Donald Trump admitiu ter autorizado a CIA a realizar operações secretas em território venezuelano, em meados de outubro. Maduro indagou: "Alguém acredita que a CIA não opera na Venezuela há 60 anos? (...) [Que] não conspira contra o comandante Chávez e contra mim há 26 anos?", perguntou ele.
  • Postura venezuelana: Maduro denuncia que o verdadeiro objetivo dos EUA é uma "mudança de regime" para se apoderar da imensa riqueza de petróleo e gás da Venezuela.
  • Condenação internacional: O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou os bombardeios realizados pelos EUA contra pequenas embarcações, sob alegações de "combate ao narcotráfico", que resultaram em pelo menos 129 mortos. Os bombardeios também foram condenados pelos governos de países como Rússia, ColômbiaMéxico e Brasil. Peritos da ONU afirmaram que as ações americanas se tratam de "execuções sumárias", em violação ao direito internacional
  • Escalada militar: em agosto, os Estados Unidos enviaram navios de guerra, submarino, caças e tropas para a costa da Venezuela, sob o pretexto de "combater o narcotráfico". Desde então, foram realizados vários bombardeios a supostas lanchas com drogas no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, matando dezenas de pessoas.