Fronteira entre Brasil e Venezuela amanhece fechada após ataques dos EUA

Segundo representantes do governo brasileiro, a interrupção da passagem ocorreu no lado venezuelano, como reação à ofensiva americana.

A fronteira entre Brasil e Venezuela em Pacaraima, Roraima, amanheceu fechada neste sábado (3), após ataques militares dos Estados Unidos em Caracas e em outros três estados venezuelanos durante a madrugada, divulgou O Globo.

Conforme interlocutores do governo brasileiro, a interrupção da passagem ocorreu no lado venezuelano, como reação à ofensiva americana de grande escala. Um militar de alta patente afirmou ao veículo que "as fronteiras estão operando dentro da normalidade" no lado brasileiro.

Ainda assim, imagens registradas no início da manhã deste sábado e divulgadas pela Polícia Militar de Roraima mostram cones posicionados para organizar o tráfego de veículos e pedestres no ponto de travessia.

Imagens gravadas por volta das 8h mostram viaturas e militares do Exército próximos ao marco onde estão hasteadas as bandeiras de Brasil e Venezuela, enquanto os cones delimitam o acesso.

O Exército em Roraima e o Comando Militar da Amazônia não se pronunciaram sobre o posicionamento das tropas na região, segundo o g1.

"Agressão militar extremamente grave"

O governo venezuelano classificou o ataque aéreo, ocorrido neste sábado (3) em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, como uma "agressão militar extremamente grave".

Em comunicado, Caracas afirmou que a ação constitui uma violação da Carta das Nações Unidas, especialmente dos Artigos 1 e 2, que garantem soberania e proíbem o uso da força, e alertou que tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais, principalmente na América Latina e no Caribe.

Explosões foram ouvidas em várias partes da capital nas primeiras horas da manhã, e helicópteros foram vistos sobrevoando a cidade. Segundo o governo, o objetivo dos ataques seria se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, especialmente petróleo e minerais, numa tentativa de violar a soberania do país.

Apesar da pressão, a Venezuela garantiu que os EUA "não terão sucesso. Após mais de duzentos anos de independência, o povo e seu governo legítimo permanecem firmes na defesa de sua soberania e do direito de decidir seu próprio destino". Caracas alertou que tentativas de impor uma "mudança de regime" fracassarão, assim como todas as anteriores. 

Agressões dos EUA