
Conflito em país vizinho pressiona sistema de saúde brasileiro, alerta Padilha

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a escalada do conflito na Venezuela já pressiona diretamente o sistema de saúde brasileiro, principalmente em Roraima.

Em postagens no X, Padilha disse que o Ministério "sempre quer e trabalha pela paz” e que “nada justifica conflitos terminarem em bombardeio". Segundo ele, “a guerra mata civis, destrói serviços de saúde e impede o cuidado às pessoas”.
Segundo o ministro, quando a violência ocorre em um país vizinho, "o impacto é múltiplo para o nosso povo e para o sistema de saúde".
Padilha afirmou que o Ministério da Saúde e o SUS em Roraima "já absorvem impactos da situação" da Venezuela.
Ele disse que, desde o início das agressões militares no entorno do país vizinho, o governo preparou a Agência do SUS, a Força Nacional do SUS e as equipes de Saúde Indígena para "reduzir, ao máximo, os impactos do conflito na saúde e no SUS brasileiro".
O ministro concluiu que, enquanto a paz não chega, o Brasil seguirá cuidando de "quem precisar ser cuidado, em solo brasileiro".
Agressão militar gravíssima
O governo da Venezuela se pronunciou no sábado (3) após o primeiro ataque aéreo perpetrado pelos EUA contra a capital Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira, classificado como uma "agressão militar gravíssima".
"Este ato constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, especialmente de seus Artigos 1 e 2, que consagram o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força. Tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais, particularmente na América Latina e no Caribe, e coloca em grave risco a vida de milhões de pessoas", diz o comunicado oficial.
Caracas alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em especial do petróleo e dos minerais, tentando quebrar à força a independência política da nação".
Agressões dos EUA
- Escalada militar: em agosto, os Estados Unidos enviaram navios de guerra, submarino, caças e tropas para a costa da Venezuela, sob o pretexto de "combater o narcotráfico". Desde então, foram realizados vários bombardeios a supostas lanchas com drogas no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, matando dezenas de pessoas.
- Falsos pretextos: Washington acusou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sem provas ou fundamentação, de liderar um suposto "cartel de drogas". As mesmas acusações infundadas foram feitas contra o presidente colombiano Gustavo Petro, que condenou os ataques mortais contra embarcações nas águas da região.
- Infiltrações de inteligência: Donald Trump admitiu ter autorizado a CIA a realizar operações secretas em território venezuelano, em meados de outubro. Maduro indagou: "Alguém acredita que a CIA não opera na Venezuela há 60 anos? (...) [Que] não conspira contra o comandante Chávez e contra mim há 26 anos?", perguntou ele.
- Postura venezuelana: Maduro denuncia que o verdadeiro objetivo dos EUA é uma "mudança de regime" para se apoderar da imensa riqueza de petróleo e gás da Venezuela.
- Condenação internacional: O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou os bombardeios realizados pelos EUA contra pequenas embarcações, sob alegações de "combate ao narcotráfico", que resultaram em pelo menos 100 mortos. Os bombardeios também foram condenados pelos governos de países como Rússia, Colômbia, México e Brasil. Peritos da ONU afirmaram que as ações americanas se tratam de "execuções sumárias", em violação ao direito internacional

