UE reage após ataque dos EUA contra a Venezuela

A chefe da diplomacia europeia apelou à 'moderação'.

A Alta Representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, manifestou-se neste sábado (3) sobre a agressão dos Estados Unidos contra a Venezuela e a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, apelando à moderação.

A diplomata afirmou que a UE está "acompanhando de perto a situação" no país sul-americano.

"A UE afirmou repetidamente que Maduro não possui legitimidade  e defendeu uma transição pacífica", escreveu Kallas em sua conta no X, acrescentando que, em qualquer caso, "os princípios do direito internacional e a Carta da ONU" devem ser respeitados.

"Pedimos moderação", enfatizou ela.

Sequestro de Maduro 

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e levados para fora do país. Em uma mensagem em sua plataforma de mídia social, Truth Social, ele confirmou ter ordenado os ataques aéreos "em larga escala" em vários locais da Venezuela.

A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, exigiu "prova imediata de vida" do governo dos EUA para Maduro e Flores, após confirmar a morte de soldados e civis durante a operação militar, que incluiu bombardeios em Caracas e outros três estados.

"Uma agressão militar gravíssima"

O governo venezuelano emitiu neste sábado (3) um comunicado após o primeiro ataque aéreo realizado pelos Estados Unidos contra a cidade de Caracas "e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira", que descreveu como uma "agressão militar gravíssima".

"Este ato constitui uma flagrante violação da Carta das Nações Unidas, especialmente dos Artigos 1 e 2, que consagram o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força. Tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais, especificamente na América Latina e no Caribe, e coloca em grave risco a vida de milhões de pessoas", afirmou o comunicado oficial.

Caracas alertou que o objetivo dos ataques "é nada mais do que se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, particularmente seu petróleo e minerais, em uma tentativa de quebrar à força a independência política do país".

Apesar da pressão, a Venezuela alertou os EUA: "Eles não terão sucesso. Após mais de duzentos anos de independência, o povo e seu governo legítimo permanecem firmes na defesa de sua soberania e do direito inalienável de decidir seu próprio destino. A tentativa de impor uma guerra colonial para destruir a forma republicana de governo e forçar uma 'mudança de regime', em aliança com a oligarquia fascista, fracassará como todas as tentativas anteriores."

Escalada da agressão

O ataque aéreo ocorreu em meio a uma escalada da agressão que começou em agosto passado com o envio incomum de uma operação militar no Caribe, ao largo da costa do país sul-americano.

Isso levou a bombardeios de pequenas embarcações acusadas, sem provas, de tráfico de drogas, ameaças de incursões contra Caracas e a apreensão de petroleiros — atos que o governo venezuelano classificou como "roubo" e "pirataria".

Nas últimas semanas, a retórica da Casa Branca mudou. O que inicialmente foi apresentado como uma "estratégia contra o narcotráfico" transformou-se em um desejo explícito de se apoderar do petróleo do país sul-americano, que, segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, foi "roubado" pela Venezuela.