
Rússia condena agressão dos EUA à Venezuela e reafirma direto à autodeterminação

A Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer interferência estrangeira, declarou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia neste sábado (3), comentando o ataque dos EUA contra o país latino-americano.
"Deve ser garantido à Venezuela o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer intervenção destrutiva, muito menos militar, vinda do exterior", diz o comunicado.
A chancelaria russa denunciou o ataque perpetrado pelos Estados Unidos como "um ato de agressão armada contra a Venezuela", enfatizando que "a América Latina deve permanecer uma zona de paz". O órgão diplomático indicou ainda que as "desculpas" usadas para justificar os ataques contra o país latino-americano são "insustentáveis".

"A animosidade ideológica prevaleceu sobre o pragmatismo comercial e a vontade de construir relações de confiança e previsibilidade", afirmou o ministério.
O órgão enfatizou a prioridade de evitar uma escalada ainda maior e buscar uma solução diplomática para a situação. Segundo o comunicado, a Rússia opera na resolução de conflitos com base no diálogo e assegura que Moscou está pronta para apoiar as partes nesse processo.
"Reiteramos nossa solidariedade ao povo venezuelano e nosso apoio à linha de sua liderança bolivariana, voltada para a defesa dos interesses nacionais e da soberania do país", registra a nota.
"Agressão militar extremamente grave"
Fortes explosões sacudiram a capital da Venezuela na madrugada de sábado (3), atingindo o complexo militar de Fuerte Tiuna e a base aérea de La Carlota, segundo testemunhas.
O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o ataque naquela noite, afirmando que Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e levados "para fora do país".
O governo venezuelano emitiu comunicado oficial após o primeiro ataque aéreo dos EUA contra a cidade de Caracas, identificando outras explosões nos estados de "Miranda, Aragua e La Guaira", classificando a operação como uma "agressão militar extremamente grave".
"Este ato constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, especialmente dos Artigos 1 e 2, que consagram o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força. Tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais, particularmente na América Latina e no Caribe, e põe em grave risco a vida de milhões de pessoas", escreve o documento.
Caracas alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão o apoderamento dos recursos estratégicos da Venezuela, particularmente seu petróleo e minerais, em uma tentativa de romper à força a independência política do país", convocando a população venezuelana à mobilização em defesa de sua soberania.
Apesar da pressão, a Venezuela alertou que os agressores americanos "não terão sucesso", enfatizando o histórico bicentenário do país na "defesa de sua soberania e do direito inalienável de decidir seu próprio destino".
Escalada da agressão
O ataque aéreo ocorre em meio à escalada da agressão americana iniciada em agosto de 2025, a partir do destacamento militar dos Estados Unidos no Mar do Caribe, na costa da Venezuela. A operação se desdobrou no bombardeio de pequenas embarcações, acusadas de traficar drogas, sem provas, decorrendo ainda em ameaças de incursões contra Caracas e na apreensão de petroleiros, atos que o governo venezuelano denunciou como "roubo" e "pirataria".
A retórica da Casa Branca foi acirrada nas últimas semanas, no contexto de publicação da nova estratégia de segurança dos Estados Unidos no início de dezembro. A adoção de um ponto de vista claro sobre o reposicionamento americano diante do hemisfério ocidental, em vistas de um enquadro da América Latina como sua zona de influência imediata e incontestada, permitiu que o pretexto de combate ao narcotráfico que justificava as operações no Caribe fosse combinado com a admissão explícita do objetivo de apoderamento do petróleo venezuelano.
De acordo com a posição do presidente americano, Donald Trump, o petróleo sequestrado por suas forças armadas teria sido "roubado" pelo país latino-americano. Anteriormente, autoridades americanas haviam justificado a apreensão com acusações de comércio irregular de mercadoria sancionada e de financiamento ao governo de Nicolás Maduro, classificado pelos Estados Unidos como um "regime narcoterrorista".
Rússia, China, Colômbia, Brasil, México e Cuba manifestaram seu apoio a Caracas.

