
'Exigimos prova de vida do presidente Maduro e da primeira-dama', diz vice-presidente da Venezuela após ataque ao país

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmou neste sábado a captura do presidente do país, Nicolás Maduro, e da primeira-dama, Cilia Flores, pelos Estados Unidos.
"Diante dessa situação brutal e desse ataque brutal, nós desconhecemos o paradeiro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores", afirmou Rodríguez em declarações à Venezolana de Televisión (VTV). Ela também confirmou a morte de soldados e de civis durante a operação militar dos EUA, que realizou bombardeios contra Caracas e outros três estados do país.
🇻🇪🗣️DELCY RODRÍGUEZ SE PRONUNCIA TRAS LA AGRESIÓN A VENEZUELA https://t.co/fguMulQ4lNpic.twitter.com/GLQOPqAyT1
— RT en Español (@ActualidadRT) January 3, 2026
Por esse motivo, a vice-presidente exigiu que o governo norte-americano apresente uma "prova de vida imediata" de Maduro e de Flores. Em sua fala, Rodríguez reforçou alertas feitos anteriormente pelo presidente venezuelano sobre como o país deveria reagir diante de uma agressão dos Estados Unidos, motivada, segundo ela, "pela desesperação da voracidade energética dos EUA".

As declarações ocorreram após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se pronunciar pela primeira vez depois de ordenar o ataque militar ao território venezuelano. "Os Estados Unidos realizaram com sucesso um ataque em grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que, junto com sua esposa, foi capturado e levado para fora do país", escreveu Trump na rede Truth Social.
"Mais detalhes serão divulgados em breve. Hoje, às 11h (13h horário de Brasília), haverá uma coletiva de imprensa em Mar-a-Lago", informou o presidente norte-americano.
Diante da situação, Delcy Rodríguez convocou a "perfeita fusão" entre forças policiais e militares para sair "em defesa da pátria". "Ninguém vai violar o legado histórico do nosso pai Libertador, Simón Bolívar. O povo da Venezuela, em perfeita união nacional, deve se mobilizar para defender seus recursos naturais e o mais sagrado, que é o direito à independência e ao futuro", afirmou.
Segundo a vice-presidente, "a primeira coisa que o presidente Maduro disse ao povo da Venezuela foi 'povo na rua', com a milícia ativada e todos os planos de defesa integral da Nação em funcionamento".
Agressões dos EUA
- Escalada militar: em agosto, os Estados Unidos enviaram navios de guerra, submarino, caças e tropas para a costa da Venezuela, sob o pretexto de "combater o narcotráfico". Desde então, foram realizados vários bombardeios a supostas lanchas com drogas no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, matando dezenas de pessoas.
- Falsos pretextos: Washington acusou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sem provas ou fundamentação, de liderar um suposto "cartel de drogas". As mesmas acusações infundadas foram feitas contra o presidente colombiano Gustavo Petro, que condenou os ataques mortais contra embarcações nas águas da região.
- Infiltrações de inteligência: Donald Trump admitiu ter autorizado a CIA a realizar operações secretas em território venezuelano, em meados de outubro. Maduro indagou: "Alguém acredita que a CIA não opera na Venezuela há 60 anos? (...) [Que] não conspira contra o comandante Chávez e contra mim há 26 anos?", perguntou ele.
- Postura venezuelana: Maduro denuncia que o verdadeiro objetivo dos EUA é uma "mudança de regime" para se apoderar da imensa riqueza de petróleo e gás da Venezuela.
- Condenação internacional: O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou os bombardeios realizados pelos EUA contra pequenas embarcações, sob alegações de "combate ao narcotráfico", que resultaram em pelo menos 100 mortos. Os bombardeios também foram condenados pelos governos de países como Rússia, Colômbia, México e Brasil. Peritos da ONU afirmaram que as ações americanas se tratam de "execuções sumárias", em violação ao direito internacional
- Escalada militar: em agosto, os Estados Unidos enviaram navios de guerra, submarino, caças e tropas para a costa da Venezuela, sob o pretexto de "combater o narcotráfico". Desde então, foram realizados vários bombardeios a supostas lanchas com drogas no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, matando dezenas de pessoas.
