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Petro divulga informações sobre ataques dos EUA à Venezuela

O presidente colombiano compartilhou um balanço dos resultados dos ataques aéreos dos EUA contra a Venezuela, conduzidos durante a madrugada de sábado (3).
Petro divulga informações sobre ataques dos EUA à VenezuelaSebastian Barros / Gettyimages.ru

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, compartilhou em suas redes sociais um suposto balanço dos ataques aéreos orquestrados pelos Estados Unidos contra a Venezuela na madrugada deste sábado (3).

A captura de tela compartilhada pelo presidente colombiano de um grupo no aplicativo de mensagens Whatsapp* registra informações supostamente verificadas, de acordo com Petro, sobre a operação militar americana e as infraestruturas afetadas pelos ataques.

Essa lista, que não foi confirmada por Caracas, afirma que, na capital venezuelana, foram antigidos a base aérea de La Carlota, o Quartel da Montanha 4F — onde repousam os restos mortais do líder da Revolução Bolivariana, Hugo Chávez — e o Palácio Legislativo Federal, sede da Assembleia Nacional.

Segundo essa avaliação, o Fuerte Tiuna, localizado no sul de Caracas e habitado por civis, também foi atacado. Relatos da região indicam que o setor permanece sem energia elétrica após os ataques aéreos.

Conforme o comunicado oficial divulgado pela Venezuela, os estados atacados pelos EUA foram Miranda, Aragua e La Guaira, na região central. A avaliação do presidente colombiano aponta especificamente focos de bombardeio, listando o Palácio de Miraflores (sede do governo da Venezuela), o centro de Caracas, um aeroporto privado em Charallave, uma base militar em Higuerote e uma pista de pouso em El Hatillo, no estado de Miranda.

Entretanto, Petro ainda afirma que entre outros alvos estava uma base aérea em Barquisimeto, no estado de Lara, no oeste do país.

Emergência nacional

Conforme o comunicado oficial do governo venezuelano, o presidente Nicolás Maduro decretou estado de emergência em todo o território nacional, afirmando que "todo o país deve se mobilizar para derrotar esta agressão imperialista" com o objetivo de "proteger os direitos da população, o pleno funcionamento das instituições republicanas e a transição imediata para a luta armada".

Caracas também anunciou que apelará ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, ao Secretário-Geral da ONU, à Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e ao Movimento dos Países Não Alinhados (MNA) para exigir a "condenação e a responsabilização do governo dos EUA".

Escalada da agressão

O ataque aéreo ocorre em meio à escalada da agressão americana iniciada em agosto de 2025, a partir do destacamento militar dos Estados Unidos no Mar do Caribe, na costa da Venezuela. A operação se desdobrou no bombardeio de pequenas embarcações, acusadas de traficar drogas, sem provas, decorrendo ainda em ameaças de incursões contra Caracas e na apreensão de petroleiros, atos que o governo venezuelano denunciou como "roubo" e "pirataria".

A retórica da Casa Branca foi acirrada nas últimas semanas, no contexto de publicação da nova estratégia de segurança dos Estados Unidos no início de dezembro. A adoção de um ponto de vista claro sobre o reposicionamento americano diante do hemisfério ocidental, em vistas de um enquadro da América Latina como sua zona de influência imediata e incontestada, permitiu que o pretexto de combate ao narcotráfico que justificava as operações no Caribe fosse combinado com a admissão explícita do objetivo de apoderamento do petróleo venezuelano

De acordo com a posição do presidente americano, Donald Trump, o petróleo sequestrado por suas forças armadas teria sido "roubado" pelo país latino-americano. Anteriormente, autoridades americanas haviam justificado a apreensão com acusações de comércio irregular de mercadoria sancionada e de financiamento ao governo de Nicolás Maduro, classificado pelos Estados Unidos como um "regime narcoterrorista".

*Propriedade da Meta, companhia americana classificada na Rússia como uma organização extremista, cujas redes sociais são proibidas em seu território.