Forças militares dos Estados Unidos estão atacando a Venezuela, informou a Fox News neste sábado (3), citando fontes anônimas.
A Casa Branca, segundo tais informantes, teria confirmado que as explosões em Caracas, capital venezuelana, foram provocadas por operações militares conduzidas pelas forças armadas americanas.
O jornal americano The New York Times informou que a Administração Federal de Aviação (FAA) proibiu que aeronaves comerciais americanas sobrevoem a Venezuela em qualquer altitude, citando riscos de segurança associados à atividade militar em curso. O alerta está em vigor por 23 horas, a partir das 2h da manhã deste sábado, horário da Venezuela.
Ataque direto
Fortes explosões sacudiram a capital da Venezuela na madrugada de sábado (3), atingindo o complexo militar de Fuerte Tiuna e a base aérea de La Carlota, segundo testemunhas.
O governo venezuelano emitiu comunicado oficial após o primeiro ataque aéreo dos EUA contra a cidade de Caracas, identificando outras explosões nos estados de "Miranda, Aragua e La Guaira", classificando a operação como uma "agressão militar extremamente grave".
"Este ato constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, especialmente dos Artigos 1 e 2, que consagram o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força. Tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais, particularmente na América Latina e no Caribe, e põe em grave risco a vida de milhões de pessoas", escreve o documento.
Caracas alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão o apoderamento dos recursos estratégicos da Venezuela, particularmente seu petróleo e minerais, em uma tentativa de romper à força a independência política do país", convocando a população venezuelana à mobilização em defesa de sua soberania.
Caracas anunciou ainda que apelará ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, ao Secretário-Geral da ONU, à Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e ao Movimento dos Países Não Alinhados (MNA) para exigir a "condenação e a responsabilização do governo dos EUA".
A Venezuela alertou também que se reserva "o direito de exercer legítima defesa para proteger seu povo, seu território e sua independência", ao mesmo tempo em que pede solidariedade internacional para condenar a agressão estrangeira.
Escalada da agressão
O ataque aéreo ocorre em meio à escalada da agressão americana iniciada em agosto de 2025, a partir do destacamento militar dos Estados Unidos no Mar do Caribe, na costa da Venezuela. A operação se desdobrou no bombardeio de pequenas embarcações, acusadas de traficar drogas, sem provas, decorrendo ainda em ameaças de incursões contra Caracas e na apreensão de petroleiros, atos que o governo venezuelano denunciou como "roubo" e "pirataria".
A retórica da Casa Branca foi acirrada nas últimas semanas, no contexto de publicação da nova estratégia de segurança dos Estados Unidos no início de dezembro. A adoção de um ponto de vista claro sobre o reposicionamento americano diante do hemisfério ocidental, em vistas de um enquadro da América Latina como sua zona de influência imediata e incontestada, permitiu que o pretexto de combate ao narcotráfico que justificava as operações no Caribe fosse combinado com a admissão explícita do objetivo de apoderamento do petróleo venezuelano.
De acordo com a posição do presidente americano, Donald Trump, o petróleo sequestrado por suas forças armadas teria sido "roubado" pelo país latino-americano. Anteriormente, autoridades americanas haviam justificado a apreensão com acusações de comércio irregular de mercadoria sancionada e de financiamento ao governo de Nicolás Maduro, classificado pelos Estados Unidos como um "regime narcoterrorista".
Rússia, China, Colômbia, Brasil, México e Cuba manifestaram seu apoio a Caracas.