Após os ataques dos EUA em diversas áreas da Venezuela, incluindo a capital, Caracas, o presidente Nicolás Maduro ordenou o destacamento "imediato" do Comando de Defesa Nacional e da Direção Integrada de Defesa em todos os estados e municípios.
Dada a magnitude dos acontecimentos, o presidente também assinou um decreto declarando estado de emergência em todo o país, que, segundo comunicado do governo, é alvo de uma "gravíssima agressão militar" que se estendeu aos estados de Miranda, Aragua e La Guaira.
Em sua mensagem, o governo afirma que "o povo da Venezuela e suas Forças Armadas Nacionais Bolivarianas, em perfeita unidade popular-militar-policial, estão mobilizados para garantir a soberania e a paz", ao mesmo tempo que convoca "todas as forças sociais e políticas" a "ativarem planos de mobilização e repudiar este ataque imperialista".
Caracas denuncia que Washington visa uma mudança de governo com o objetivo de se apoderar do petróleo e dos minerais venezuelanos.
Nesse contexto, enfatiza que "reserva-se o direito de exercer legítima defesa para proteger seu povo, seu território e sua independência".
O presidente dos EUA, Donald Trump, vinha antecipando possíveis ataques terrestres na Venezuela há semanas, como parte da intensificação da campanha de pressão contra o governo de Nicolás Maduro.
Essa campanha começou com um grande destacamento militar no Mar do Caribe, prosseguiu com a destruição de supostos barcos de narcotráfico (ataques que desde então se deslocaram para o Pacífico) e incluiu sobrevoos constantes de caças. Por fim, ele ordenou o bloqueio de petroleiros sancionados que entravam e saíam da Venezuela, o que foi seguido pela apreensão de pelo menos dois navios.
Escalada da agressão
O ataque aéreo ocorre em meio a uma escalada da agressão que começou em agosto passado com o envio incomum de uma operação militar no Caribe, ao largo da costa do país sul-americano. Isso levou a bombardeios de pequenas embarcações acusadas, sem provas, de tráfico de drogas, ameaças de incursões contra Caracas e a apreensão de petroleiros — atos que o governo venezuelano classificou como "roubo" e "pirataria".
Nas últimas semanas, a retórica da Casa Branca mudou. O que inicialmente foi apresentado como uma estratégia contra o narcotráfico transformou-se em um desejo explícito de se apoderar do petróleo do país sul-americano, que, segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, foi "roubado" pela Venezuela.
Rússia, China, Colômbia, Brasil, México, Nicarágua e Cuba manifestaram seu apoio a Caracas.