
Venezuela se pronuncia após os ataques aéreos dos EUA contra Caracas

O governo venezuelano se pronunciou neste sábado (3) após o primeiro ataque aéreo perpetrado pelos EUA contra a cidade de Caracas "e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira", classificando-o como uma "agressão militar gravíssima".

"Este ato constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, especialmente de seus artigos 1 e 2, que garantem o respeito à soberania, a igualdade jurídica entre os Estados e a proibição do uso da força. Tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacional, especialmente na América Latina e no Caribe, e coloca em grave risco a vida de milhões de pessoas", afirma o comunicado oficial.
Explosões foram ouvidas em várias partes da capital durante a madrugada. Relatos nas redes sociais também indicam que helicópteros foram vistos sobrevoando a área.
Em comunicado, Caracas alertou que o objetivo dos ataques "é nada mais que se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, particularmente seu petróleo e minerais, em uma tentativa de romper à força a independência política do país".
Apesar da pressão, a Venezuela advertiu os EUA: "Eles não terão sucesso. Após mais de duzentos anos de independência, o povo e seu governo legítimo permanecem firmes na defesa da soberania e do direito inalienável de decidir seu próprio destino. A tentativa de impor uma guerra colonial para destruir a forma republicana de governo e forçar uma 'mudança de regime', em aliança com a oligarquia fascista, fracassará como todas as tentativas anteriores".
O presidente Nicolás Maduro decretou estado de emergência em todo o território nacional, com o objetivo de "proteger os direitos da população, o pleno funcionamento das instituições republicanas e fazer a transição imediata para a luta armada."
"Todo o país deve se mobilizar para derrotar esta agressão imperialista", diz o comunicado. Caracas anunciou ainda que apelará ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, ao Secretário-Geral da ONU, à Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e ao Movimento dos Países Não Alinhados (MNA) para exigir "a condenação e a responsabilização do governo dos EUA".
A Venezuela declarou também que se reserva "o direito de exercer legítima defesa para proteger seu povo, seu território e sua independência", ao mesmo tempo em que pede a solidariedade internacional para condenar a agressão estrangeira.
Escalada da agressão
O ataque aéreo ocorreu em meio a uma escalada da agressão que começou em agosto passado com o envio incomum de uma operação militar no Caribe, ao largo da costa do país sul-americano.
Isso levou a bombardeios de pequenas embarcações acusadas, sem provas, de tráfico de drogas, ameaças de incursões contra Caracas e a apreensão de petroleiros — atos que o governo venezuelano classificou como "roubo" e "pirataria".
Nas últimas semanas, a retórica da Casa Branca mudou. O que inicialmente foi apresentado como uma "estratégia contra o narcotráfico" transformou-se em um desejo explícito de se apoderar do petróleo do país sul-americano, que, segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, foi "roubado" pela Venezuela.
Rússia, China, Colômbia, Brasil, México, Nicarágua e Cuba manifestaram seu apoio a Caracas.


